Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2017
Pouco menos de dois anos depois de deixar a cadeia, Roberto Jefferson, pivô do escândalo do mensalão, tem rotina de deputado. Entre terça e quinta-feira, está em Brasília recebendo uma romaria de políticos. Aos fins de semana, viaja o País. Apenas no último mês, esteve duas vezes com o presidente Michel Temer no Palácio Planalto. Voltou a presidir o PTB e até agora está fora da “lista da Odebrecht”, enquanto seu arquirrival, o ex-ministro petista José Dirceu, foi preso novamente por envolvimento no petrolão.
Jefferson, 64 anos, é conhecido por ter, em 2005, revelado um esquema de compra de votos no Congresso pelo governo Lula. Teve o mandato cassado e foi condenado a 7 anos e 14 dias de prisão por receber R$ 4,5 milhões do “valerioduto.” O ex-deputado cumpriu mais de um ano em regime fechado, mas conseguiu que o STF (Supremo Tribunal Federal) perdoasse o restante da pena.
Agora quer ser absolvido pelas urnas. Uma pesquisa do Instituto Paraná apontou: se for candidato a deputado federal por São Paulo, Jefferson pode ter cerca de 600 mil votos. É mais do que os 400 mil obtidos pelo pastor Marco Feliciano (PSC), o terceiro deputado mais votado do Estado em 2014, com um detalhe: o reduto eleitoral de Jefferson é o Rio de Janeiro.
Diagnosticado com câncer, ele disse que se a saúde deixar, será candidato. Ele está novamente com câncer, agora na garganta. “É a terceira vez. Ô, doença complicada! Ela não para de apertar o sujeito.”
Para a deputada Cristiane Brasil (PTB), filha de Jefferson, o pai não precisa de mandato para fazer política. “Todo mundo escuta o que ele fala, inclusive o presidente”, disse ela. O poder de Jefferson está apoiado em quatro pilares: carisma pessoal, domínio do PTB, o sentimento antipetista no País e a relação próxima com Michel Temer, que conhece desde a Constituinte em 1988.