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Política Câmara dos Deputados acelera a tramitação de projeto que facilita punições a integrantes do Ministério Público que investigam políticos

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"PEC da Vingança" pode ser votada já nesta segunda-feira. (Foto: EBC)

Nas últimas semanas, a Câmara dos Deputados acelerou a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 5/2001, que prevê o aumento do número de representantes do Congresso dentro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), diminui o número de cadeiras indicadas pelo MP e faz com que o corregedor do colegiado não precise, necessariamente, ser um integrante das carreiras da Promotoria.

A expectativa é que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, presidida pela deputada Bia Kicis (PSL-DF), aprove a proposta e a mande ao plenário já nesta segunda-feira (3). Para entrar em vigor, a emenda precisa ser aprovada também no Senado.

Se isso acontecer, o efeito prático será aumentar o poder externo dentro do CNMP, facilitando a aplicação de punições contra procuradores da República e promotores de Justiça. Presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), o promotor de Justiça Manoel Murrieta alerta:

“Uma situação em que essa mudança pode pesar, por exemplo, é quando os procuradores e promotores conduzirem investigações que atinjam pessoas influentes ou com poder político. Isso ameaça o equilíbrio de representação do colegiado, na contramão do discurso de campanha de muitos dos congressistas que estão defendendo essa mudança”.

Ele coordena um grupo formado pelas entidades nacionais de todos os braços do MP que se uniram, inclusive deixando de lado tradicionais discordâncias, para atuar contra a fragilização da instituição que representam. Estão no grupo também as associações dos Procuradores da República (ANPR), dos Procuradores do Trabalho (ANPT), do MP do Distrito Federal (AMPDFT) e do MP Militar (ANMPM).

Juntas, elas somam mais de 20 mil associados. Nas últimas semanas, os presidentes dessas entidades têm tentado convencer os deputados da CCJ de que o projeto é inconstitucional, porque agride a independência do MP, e tem o potencial de destruir a instituição.

“Vingança”

A PEC foi apresentada em 15 de março deste ano pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos mais ferrenhos críticos do trabalho do Ministério Público na operação Lava Jato. Dentro do MP, a iniciativa é vista como uma “vingança” contra a atuação de alguns de seus integrantes em processos que resultaram na condenação de importantes líderes políticos.

Não por caso, algumas autoridades apelidaram o projeto do deputado Paulo Teixeira de “PEC da Vingança”. Na avaliação de analistas políticos, essa é uma daqueles situações que pode acabar unindo petistas e bolsonaristas no parlamento.

Além de facilitar a punição dos integrantes do Ministério Público, a PEC também resultará, se aprovada como está, na quebra de simetria entre o MP e o Poder Judiciário, afirmam as associações do Ministério Público. Em 2004, a Emenda 45 criou e incluiu na Constituição tanto o CNMP quanto o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que tem as mesmas funções disciplinares, mas aplicadas a integrantes do Judiciário.

A Constituição estipula que MP e Judiciário devem ter simetria e, por isso, a composição dos dois conselhos é análoga. Se a “PEC da Vingança” prosperar, no entanto, o MP ficará em situação mais frágil e exposta aos interesses políticos do que o Judiciário.

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https://www.osul.com.br/camara-dos-deputados-acelera-a-tramitacao-de-projeto-que-facilita-punicoes-a-integrantes-do-ministerio-publico-que-investigam-politicos/ Câmara dos Deputados acelera a tramitação de projeto que facilita punições a integrantes do Ministério Público que investigam políticos 2021-05-02
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