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Porto Alegre Covid-19: Vacinação com imunizantes diferentes não tem eficácia ou segurança comprovada

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Em Porto Alegre, foram notificados pela Secretaria Municipal de Saúde 39 casos de intercambialidade

Foto: Governo do Estado de São Paulo
Grupos antivacina espalham boato para desacreditar imunizantes. (Foto: Governo do Estado de São Paulo)

Nas últimas semanas, casos de pessoas que receberam doses de vacinas contra Covid-19 produzidas por fabricantes diferentes têm sido relatados pela imprensa de Porto Alegre e do país. Em Porto Alegre, foram notificados pela Secretaria Municipal de Saúde 39 casos de intercambialidade. O número, extraído do E-SUS Notifica, sistema de informação federal, está sujeito à revisão.

Os motivos que levam à intercambialidade de vacinas – quando uma dose é de um fabricante, e a segunda de outra – podem ser diversos. Atraso para recebimento da segunda dose do mesmo fabricante da primeira dose, análises em relação à eficácia de um ou outro imunobiológico, recusa por um determinado tipo de vacina ou, ainda, erro do profissional vacinador no momento da aplicação.

“Quem tomou uma dose de um fabricante e outra dose de outro não tomou nenhuma dose completa da vacina”, alerta a imunologista Cristina Bonorino, professora titular da UFCSPA [Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre] e membro dos comitês científico e clínico da SBI [Sociedade Brasileira de Imunologia]. Nesses casos, as pessoas são consideradas não imunizadas pelas normativas do Ministério da Saúde e não têm indicativo de receber uma segunda dose seja de uma vacina, seja da outra.

Para a imunologista, que integra o Comitê de Eventos Adversos de Vacinação do RS, é fundamental que o Ministério da Saúde realize estudos e emita nota técnica referente ao assunto para garantir proteção às pessoas que inadvertidamente receberam vacinas de fabricantes diferentes. “Com a mistura, essas pessoas não estão protegidas, ou seja, não estão imunizadas”, resume.

As bulas das vacinas utilizadas no Brasil indicam que as duas doses devem ser do mesmo fabricante. “Ainda não há estudos mundiais finalizados sobre a eficácia e segurança da intercambialidade, e diante da confirmação, é preciso estudar o caso”, diz Cristina Bonorino. À medida que mais casos sejam confirmados e estudados, mais estatísticas estarão disponíveis, além de estudos científicos, frisa a cientista. Para ela, é muito importante que pessoas façam a segunda dose com a mesma feita na primeira dose, mesmo em atraso.

As vacinas utilizadas no país não devem ser misturadas porque foram construídas a partir de plataformas e tecnologias diferentes, embora todas “se dirijam contra a proteína S (de spike: espícula, em português), que é responsável pela adesão do vírus SARS-CoV-2 (coronavírus) às nossas células, com consequente invasão e infecção”, explica o médico Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Por utilizarem tecnologias diferentes, elas geram proteção também de forma diferente. A utilização de plataformas diferentes já dá indício de que uma não vale de reforço para outra vacina, explica Cristina. “Mesmo a escassez de doses para completar esquema vacinal não seria motivo suficiente para aplicação de vacinas diferentes nos brasileiros, por exemplo”.

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