Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 18 de setembro de 2023
Uma nova vacina aumenta a sobrevivência de pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado. De acordo com a empresa de biotecnologia Ose Immunotherapeutics, a vacina Tedopi reduziu em 41% o risco de morte no prazo de um ano em pessoas com câncer de pulmão de células não pequenas – a forma mais comum da doença, geralmente causada pelo cigarro –, em estado de metástase.
Efeitos colaterais
O estudo também indica que a vacina terapêutica provoca menos efeitos colaterais que a quimioterapia. O índice desses problemas foi de 11% nos participantes que receberam a vacina contra 35% nos pacientes submetidos à quimioterapia.
Mais letais no mundo
O câncer de pulmão é considerado um dos mais letais no mundo. Ocupa o primeiro lugar em letalidade entre os homens e o segundo entre as mulheres, segundo estimativas mundiais de 2020. A grande maioria dos casos (84%) ainda é diagnosticada em estágio tardio, o que explica, em parte, a alta taxa de letalidade da doença.
Registro sanitário
No estudo de fase 3 – a última etapa antes da obtenção do registro sanitário -, foram incluídos 219 pacientes dos Estados Unidos e da Europa com resistência a outros tratamentos. Destes, 139 pacientes receberam a vacina e 80, a quimioterapia. Os resultados publicados recentemente na revista científica Annals of Oncology mostraram que além da redução no risco de morte, a vacina também permitiu aos pacientes melhorar sua qualidade de vida.
“Foi observada uma redução significativa de 41% no risco de morte, associada a uma melhoria no índice de tolerância e à manutenção da qualidade de vida”, disse o professor Benjamin Besse, do Instituto Gustave Roussy, principal autor do estudo, em comunicado.
Vacina terapêutica
Ao contrário das vacinas tradicionais, que têm como objetivo principal prevenir uma doença, a Tedopi é uma vacina terapêutica, ou seja, ela busca tratar o câncer. No entanto, seu mecanismo de funcionamento é semelhante ao dos outros imunizantes: proteínas parecidas com as dos tumores estimulam os linfócitos T do sistema imunológico, que passam a reconhecer as células cancerígenas e eliminá-las.
Várias aplicações
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que são necessárias várias aplicações durante o tratamento e que o tratamento foi realizado em um grupo específico de pacientes, que já tinham passado por imunoterapia há pelo menos três meses. As informações são do jornal O Globo.