Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 19 de junho de 2024
Segundo dados da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o número de mortes causadas pelas enchentes é 177.
Foto: Gustavo Mansur/Palácio PiratiniMaterial que circula nas redes sociais afirma que 300 mil pessoas morreram na tragédia climática no Rio Grande do Sul no mês passado.
É falso. Segundo dados da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o número de mortes causadas pelas enchentes é 177. Para chegar ao número falso de 300 mil, o vídeo se apoia em boatos já desmentidos, como o de que comportas de barragens foram abertas propositalmente para provocar as inundações e de que centenas de corpos estavam armazenados em frigoríficos em Canoas (RS).
Procurado, o responsável pelo vídeo respondeu que a peça é um “react”, um tipo de conteúdo em que o autor reage a outros vídeos. O vídeo compartilhado no YouTube divulga uma série de afirmações falsas sobre a tragédia climática no Rio Grande do Sul.
O título é “ACABOU DE MORR3R 300 MIL? Olha isso ANTES QUE DERRUB3M ESSE VÍDEO! A VERDADE apareceu sobre o RS!”. Na filmagem, o autor da postagem afirma: “Já tem um documento que oscila entre 100 mil a 150 mil casas destruídas no Rio Grande do Sul. Se considerarmos três pessoas em cada casa, são mais de 300 mil pessoas afetadas. Onde estão todas essas pessoas?”.
De fato, a Confederação Nacional de Municípios estima que 101 mil casas foram destruídas ou danificadas pelas chuvas. Mas isso não quer dizer que todas as pessoas que moravam nelas foram mortas. De acordo com o balanço oficial mais recente da Defesa Civil e do governo gaúcho, até essa quarta-feira (19), 177 óbitos foram confirmados e 37 pessoas seguem desaparecidas.
O Corpo de Bombeiros do Estado informou que todos os dados verdadeiros sobre o número de vítimas são divulgados pelo balanço da Defesa Civil e governo do Estado. “As forças de segurança estão trabalhando em conjunto para resgates de corpos. O compilado de dados é fornecido apenas pela Defesa Civil”, disse.
O autor da postagem no YouTube afirmou à reportagem que fez um “react” de conteúdos recebidos por ele. Ele exibe diferentes vídeos de pessoas que falam sobre um número de mortos maior do que a realidade e mentem sobre a real causa do desastre climático.
Nesse vídeo, um homem repete o discurso sobre 100 mil casas destruídas e 300 mil pessoas que teriam “sumido”. Como mostrou o Verifica, essa afirmação ignora que há pessoas que foram colocadas em abrigos e outras que foram acolhidas em casas de parentes e amigos.
Também é falso o áudio em que uma mulher afirma que estão congelando corpos em câmaras frigoríficas no bairro Mathias Velho, em Canoas. O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul negou a prática. No vídeo, junto do áudio é exibida a imagem de uma carreta estacionada. Não se trata de um caminhão frigorífico, nem da cidade de Canoas. Na realidade, a foto é de Lajeado, a cerca de 100 km de distância.
Desde o início das fortes chuvas, boatos de que o governo abriu propositalmente comportas de barragens se espalham nas redes sociais. As postagens tentam esconder as causas climáticas por trás do desastre ambiental.
Não há qualquer evidência que a abertura de barragens tenha provocado as cheias no Estado. O alto volume de chuvas no Sul foi provocado por uma massa de ar frio que veio da Argentina e estacionou sobre o Estado, por causa de uma massa de ar seco que pairou no centro do Brasil. Esse bloqueio impediu a passagem da massa de ar fria, fazendo com que a região sofresse com fortes chuvas, que fizeram grandes rios da região registrarem cheias históricas.
As informações são do Estadão.
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