Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 27 de fevereiro de 2025
Haddad vem sendo criticado pelas medidas do seu ministério que seriam responsáveis pela queda de popularidade do presidente Lula
Foto: Diogo Zacarias/Ministério da FazendaO ministro da Casa Civil, Rui Costa, elogiou e defendeu na última quarta-feira (26), publicamente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com quem vem travando debates internos no governo sobre a política econômica da gestão Lula.
As declarações de Costa dão fôlego a uma campanha de desagravo a Haddad em curso nos últimos dias, depois que vieram à tona críticas de que medidas da Fazenda seriam responsáveis pela queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – movimento confirmado pela divulgação da pesquisa Quaest em seis Estados.
Antes de Costa, a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada Gleisi Hoffmann (PR), crítica
contumaz de Haddad, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira — principal aliado do chefe da Casa Civil no governo —, também haviam tecido elogios ao titular da Fazenda nos últimos dias. Rui Costa elogiou o colega em três oportunidades.
Primeiro, em entrevista ao canal por assinatura GloboNews, ele afirmou que “Haddad teve e tem todo o apoio do
presidente da República e dos ministros do palácio para todas as iniciativas que ele tomou”. Acrescentou que sua relação com Haddad é “excelente”, e reforçou essa declaração ao participar de um evento com investidores em São Paulo. Depois, no início da tarde, ao chegar a esse evento, Costa defendeu o resultado da política fiscal, ao comentar a meta alcançada relativa a 2024.
“Foi o melhor resultado primário em dez anos”, ressaltou, ao afastar rumores de que o governo poderia entrar em uma fase “populista”, de mais gastos sociais. No fim de janeiro, o Tesouro Nacional anunciou que o governo central registrou déficit primário de R$ 11,032 bilhões, ou 0,09% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, dentro do intervalo de tolerância para cumprimento da meta de déficit zero, sustentado por Haddad.
Na contramão, Rui Costa e Gleisi lideravam alas do governo que defendiam um déficit de 0,5% do PIB. No entanto, na festa de aniversário do PT, realizada no sábado (22), no Rio de Janeiro, Gleisi enalteceu Haddad, que estava na plateia, ao mencionar o resultado fiscal. “Isso é compromisso com as contas públicas”, celebrou, em claro momento de inflexão ante a postura quase sempre crítica às ações do ministro da Fazenda.
Já o ministro Alexandre Silveira foi às redes sociais exaltar Haddad.
“Estive com o ministro da Fazenda em evento hj [hoje] e reiterei meu apoio ao trabalho que tem sido feito. Ressalto a confiança e o entusiasmo que temos na política econômica do Brasil, liderada por ele e sua equipe”, afirmou em seu perfil na rede X (antigo Twitter). Silveira é um dos principais aliados de Costa no governo, e um dos quadros mais
próximos do secretário de Governo de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, que fez críticas a Haddad, chamando-o de “fraco”.
Internamente, ministros do Centrão movimentaram-se em defesa de Haddad, como Renan Filho (MDB), dos Transportes, e Silvio Costa Filho (Republicanos), de Portos e Aeroportos. No PT, um dos aliados mais constantes de Haddad é o titular da articulação política e futuro ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
As críticas a Haddad cresceram nos bastidores do governo após a divulgação de pesquisas indicando queda de popularidade de Lula. Em uma reunião ocorrida no dia 16 na Granja do Torto, dois dias após a divulgação da pesquisa Datafolha, Lula ouviu de ministros presentes que medidas da Fazenda eram responsáveis pela rejeição ao governo. Haddad estava ausente, em viagem ao Oriente Médio.
As medidas da Fazenda mencionadas foram a “taxa das blusinhas”, em referência à taxação de compras internacionais de até US$ 50, adotada para atender pleito dos varejistas. E a ampliação da fiscalização do Pix para transferências acima de R$ 5 mil, da qual o governo recuou, após onda de “fake news” de que seria cobrado imposto
sobre as transações.
Fontes do palácio disseram que Haddad teria reclamado a Lula do fogo amigo no governo contra ele e à política econômica. Em reação, Lula teria dado voz de comando para que auxiliares e aliados saíssem em defesa de Haddad. Contudo, interlocutores do ministro da Fazenda negaram que ele tenha abordado o tema com Lula. “Ele nunca tratou desse assunto com o presidente”, disse um interlocutor. As informações são do portal de notícias Valor Econômico.