Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 24 de março de 2025
Olhares da política esta semana estão voltados para o julgamento do inquérito do golpe, marcado para esta terça (25) e quarta-feira (26). Embora o resultado já seja esperado, com a certeza de que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai mandar Jair Bolsonaro e outros sete para o banco dos réus, a postura do ex-presidente e de seu entorno dará sinais sobre a campanha eleitoral de 2026.
Nesse contexto, a reação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é das mais esperadas. Alçado à política pelo ex-presidente, Tarcísio equilibra-se entre gestos efusivos ao bolsonarismo e um discurso de bom senso que dialogue com os partidos de Centro e respeite a Justiça no País. Na última semana, atirou para os dois lados. E tem sido orientado por caciques da própria sigla, além de PSD e MDB, a jogar parado.
Em um dia, Tarcísio foi ao ato pela anistia “aos inocentes” do 8 de Janeiro, pediu a volta de Bolsonaro. Noutro dia, elogiou o sistema eleitoral brasileiro, contrariando os bolsonaristas. Em ritmo de bolero, o governador fica no mesmo lugar, evita passos bruscos, enquanto aguarda o rumo dos partidos do Centro diante da impopularidade de Lula, e se Bolsonaro optará por um parente na chapa de 2026.
Embora Tarcísio apareça em pesquisas atuais como o presidenciável da direita com potencial para derrotar o presidente Lula, ele sabe que dependeria do voto dos apoiadores de Bolsonaro para alcançar tal resultado. Sua postura cautelosa reflete o desejo de manter o apoio desse eleitorado sem alienar as correntes mais moderadas do espectro político.
Levantamento da empresa Bites feito para o Estadão/Broadcast de janeiro/2023 a fevereiro/2024 constata que as postagens de Tarcísio com maior engajamento continuam sendo as que Bolsonaro aparece ou é mencionado. Esse dado revela a importância do ex-presidente no cálculo político de Tarcísio, que, apesar de tentar construir uma imagem de governante técnico e pragmático, não pode abrir mão de sua base bolsonarista para garantir a viabilidade de sua candidatura em 2026.
Neste cenário de tensão e especulação, o governador de São Paulo navega entre dois mundos, tentando equilibrar sua aproximação com o bolsonarismo e a necessidade de ser visto como uma alternativa confiável e conciliatória, capaz de atrair não apenas a direita mais radical, mas também os moderados e os eleitores insatisfeitos com a atual administração. O caminho até 2026 promete ser desafiador e repleto de dilemas políticos. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)