Segunda-feira, 31 de março de 2025
Por Redação O Sul | 26 de março de 2025
Presidente anunciou que País irá assinar dez acordos de cooperação e quase 80 convênios com empresas, universidades e bancos japoneses.
Foto: Ricardo Stuckert/PRO presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira (26), que o Brasil irá assinar dez acordos de cooperação “nas mais diversas áreas” com o Japão, além de quase 80 convênios entre empresas, bancos e universidades, durante a visita de Estado ao país. Em discurso no Fórum Empresarial Brasil-Japão, em Tóquio, ele exaltou a importância que o Japão teve para a economia brasileira no passado, mas disse que é preciso aprimorar a relação bilateral, que “não andou bem” na última década.
“Eu quero convidar os japoneses a investirem no Brasil porque o Brasil é um porto seguro, como foi para os japoneses em 1908″, disse Lula, em referência ao ano do início da imigração japonesa para o País. “Queremos compartilhar alianças entre as empresas japonesas e brasileiras para que a gente possa crescer juntos.”
Entre as oportunidades de negócio bilateral, o presidente citou a agenda climática, com destaque para a intenção do Japão de aumentar a proporção de etanol presente na gasolina. Lula também mencionou a expectativa com a ampliação dos investimentos de montadoras japonesas como a Honda, a Nissan e a Mitsubishi na produção local de veículos elétricos e híbridos.
“A descarbonização não é uma escolha, é uma necessidade e grande oportunidade. O envolvimento do setor privado é fundamental. O Brasil sempre será um aliado para reduzir a dependência global de combustíveis fósseis”, afirmou o presidente.
Lula disse também que é preciso avançar nas tratativas para a assinatura de um acordo de comércio entre o Japão e os países do Mercosul. “Em um mundo cada vez mais complexo, é fundamental que parceiros históricos se unam para enfrentar as incertezas e instabilidades da economia global.”
Livre comércio
Lula defendeu, em seu discurso, o multilateralismo e o livre comércio. “Nós não queremos uma segunda Guerra Fria. Queremos comércio livre para que a gente possa fazer com que nossos países se estabeleçam no movimento da democracia, no crescimento econômico e na distribuição de riqueza”, disse.
“Nós não queremos mais muros. Não queremos mais ser prisioneiros da ignorância. Queremos ser livres e prisioneiros da liberdade”, afirmou o presidente, que apontou os riscos à democracia representados por radicais de direita. “A democracia corre risco no planeta com a eleição da extrema direita negacionista que não reconhece a vacina, não reconhece a instabilidade climática, não reconhece sequer partidos políticos e sindicatos.”
Crescimento econômico
Ao comentar as oportunidades de negócio entre o Brasil e o Japão, Lula disse que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem crescido acima das previsões, o que deverá ocorrer novamente em 2025.
Entre os pontos positivos do País para investidores estrangeiros, ele citou a estabilidade jurídica e a reforma tributária. O presidente também destacou a retomada de políticas de concessão de crédito para a população e de medidas para a distribuição de renda.
(Estadão Conteúdo)