Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 1 de abril de 2025
O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu nessa terça-feira (1º) ao ministro Alexandre de Moraes que permita a visita de autoridades religiosas para a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos.
Débora é a mulher que escreveu “perdeu, mané” na estátua “A Justiça” durante os ataques de 8 de janeiro. Ela está em prisão domiciliar desde a última sexta-feira (28) após Moraes acatar o pedido da defesa da ré para a saída do presídio no interior de São Paulo.
No pedido enviado ao Supremo, Sóstenes diz que Débora era uma “prisioneira modelo”. Ele destaca que o próprio Moraes, em sua decisão que permitiu a prisão domiciliar, reconheceu a “boa conduta carcerária” e demonstrou “arrependimento em seu depoimento judicial”.
“Acredita-se que Vossa Excelência, com a consciência humanitária e jurídica que lhe é peculiar, concederá tal pedido em virtude da dignidade da pessoa humana”, diz Sóstenes.
Caso o pedido seja aceito, o deputado requer que todos os demais acusados pelos ataques de 8 de janeiro que estejam em prisão domiciliar tenham o mesmo direito.
A visita de autoridades religiosas, por ora, não está permitida a Débora. Na decisão de sexta que autorizou a prisão domiciliar, Moraes determinou a “proibição de visitas, salvo de seus advogados regularmente constituídos e com procuração nos autos e de seus pais e irmãos, além de outras pessoas previamente autorizadas por este Supremo Tribunal Federal”.
O próprio deputado Sóstenes Cavalcante poderia visitar Débora e os demais presos se Alexandre de Moraes concordar com o pedido. O líder do PL é pastor evangélico da Assembleia de Deus e um dos principais aliados de Silas Malafaia no Congresso Nacional.
Na última semana, Sóstenes também pediu ao gabinete de Moraes autorização para visitar o ex-ministro Walter Braga Netto na prisão. O pedido ainda não foi respondido.
Recuo
O ex-presidente Jair Bolsonaro disse que o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que Débora Rodrigues migrasse ao regime de prisão domiciliar foi um “recuo tático”.
A avaliação da PGR foi recebida no STF por Alexandre de Moraes, que concedeu o benefício à cabeleireira acusada de participar dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e de pichar, com um batom, a frase “perdeu, mané” na estátua A Justiça, em frente à Corte.
“Não estamos comemorando um avanço. Estamos testemunhando um recuo tático. E ainda coberto de cinismo jurídico. Não houve mudança nos fatos. Não surgiu nenhuma nova prova. Nada mudou. Exceto uma coisa: a vergonha ficou grande demais pra sustentar”, afirmou Bolsonaro no X (antigo Twitter). (Com informações dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo)