Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2025
As tarifas anunciadas por Trump sobre produtos de diversos países repercutiram negativamente nos mercados globais
Foto: Divulgação/Casa BrancaA China anunciou que imporá tarifas adicionais de 34% sobre importações dos EUA em retaliação às tarifas do mesmo valor reveladas pelo presidente Donald Trump esta semana como parte de sua agressiva agenda comercial.
O Ministério do Comércio disse nessa sexta-feira (4) que a tarifa será imposta a todos os bens importados originários dos EUA a partir de 10 de abril.
As tarifas sobre exportações chinesas devem subir para mais de 60% depois que o presidente dos EUA anunciou tarifas “recíprocas” de 34% que se somam às tarifas existentes.
Pequim denunciou as novas tarifas dos EUA como “uma típica ação de intimidação unilateral” que “não está em conformidade com as regras do comércio internacional e prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China”.
Além das tarifas, a China anunciou a suspensão de importação de dois produtores de frangos dos EUA: Mountaire Farms of Delaware e Coastal Processing. A alegação é que as empresas usam drogas proibidas na criação das aves.
Os preços do petróleo passaram o dia em queda após o anúncio chinês, em decorrência do temor de que uma guerra comercial limite o crescimento econômico global.
O Brent, referência internacional, fechou em queda de 6,5%, para US$ 65,58 (R$ 383,14) por barril, enquanto o WTI, seu equivalente nos EUA, caiu 7,4%, para US$ 61,99 (R$ 362,17).
Nessa sexta, o Goldman Sachs reduziu sua meta de preço para o ano para o Brent em US$ 5 (R$ 29,21), para US$ 62 por barril (R$ 362,23), e alertou que “a volatilidade dos preços provavelmente permanecerá elevada devido ao maior risco de recessão”.
Ações
As ações globais ampliaram as perdas iniciadas com uma venda brutal na quinta-feira (3), desencadeada pela blitz tarifária de Donald Trump, e tiveram o pior dia em cinco anos — principalmente em resposta às tarifas retaliatórias da China.
As ações de Wall Street fecharam em forte queda, consolidando uma perda de US$ 5,4 trilhões em dois dias. O índice S&P 500 encerrou a sessão com uma queda de 6%, após cair 4,8% no dia anterior.
Todos os 11 setores do S&P caíram mais de 4,5%, com o setor de energia sendo o principal perdedor pelo segundo dia consecutivo, com queda de 8,7%
O Nasdaq perdeu 5,8% e o Dow Jones 5,5%. Na semana, S&P 500 e Nasdaq despencaram, respectivamente, 9,1% e 10% — as maiores quedas semanais desde março de 2020. O Dow Jones caiu 7,9% na semana.
O índice Vix, uma medida da volatilidade muitas vezes chamada de “medidor de medo” de Wall Street, disparou 15,1 pontos para 45,1, o nível mais alto desde 2020.
O dia foi de perdas generalizadas. As ações de empresas chinesas listadas nos EUA despencaram, com JD.com, Alibaba e Baidu todas caindo mais de 7,7%. Gigantes com grande exposição à China também despencaram, com a Apple caindo 7,3% e Nvidia perdendo 7,7%.
O índice de fabricantes de chips afundou 7,6%, após queda de 9,9% no dia anterior. O setor é particularmente vulnerável ao golpe tarifário, já que muitas empresas projetam os chips nos EUA, mas os fabricam na China.
As ações de empresas como Nike e Lululemon também caíram, em resposta às altas tarifas em países-chave da cadeia de produção, como o Vietnã, mas se recuperaram ao longo do dia após conversas entre autoridades americanas e vietnamitas.
Na Europa, o mercado também teve a maior queda diária desde a pandemia de covid. O Stoxx Europe 600 fechou 5,1% mais baixo e o FTSE 100 do Reino Unido caiu 5%, também seu pior dia desde 2020, com a libra 1,4% mais fraca em relação ao dólar. O índice da MSCI para a Ásia caiu 4,5%.
A imagem mostra uma mulher em movimento na frente de um grande painel eletrônico que exibe informações sobre o índice Nikkei. O painel apresenta o valor do índice como 33.284, com uma variação de -145. O gráfico ao fundo mostra uma linha que representa a flutuação do índice ao longo do tempo, com horários marcados. A mulher carrega um tablet ou caderno.
Os mercados asiáticos também caíram. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em baixa de 2,75%, registrando uma queda de 9% na semana, seu maior declínio semanal desde março de 2020. Durante a sessão, o índice também atingiu seu menor nível desde o início de agosto.
O índice bancário caiu mais de 8% na capital japonesa, registrando uma queda de 20% na semana, o pior desempenho semanal já registrado, de acordo com dados da LSEG. As ações de bancos japoneses têm ganhado popularidade entre os investidores que apostam no aumento dos juros pelo Banco do Japão.
Os títulos do Tesouro dos EUA foram os principais beneficiários da venda de ações, com o rendimento do Tesouro de 10 anos caindo para 3,86%, seu nível mais baixo desde antes da eleição de Trump. (Com informações da Folha de S.Paulo)