Quinta-feira, 24 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 9 de junho de 2015
O deputado estadual Diógenes Basegio (PDT), reeleito ao segundo mandato na Assembleia Legislativa gaúcha, admitiu nesta segunda-feira (08) ter contratado uma funcionária “apenas no papel”. Basegio argumentou que empregava a dona de casa Hedi Vieira porque o marido dela trabalhava em seu gabinete, mas não poderia ser contratado formalmente devido a um câncer terminal. O caso foi denunciado em reportagem veiculada no programa “Fantástico”, da Rede Globo.
O pedetista é um dos deputados suspeitos de desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa. As denúncias envolvem extorsão de parte dos salários de servidores, funcionários fantasmas e fraudes nos gastos dos parlamentares com verbas indenizatórias mediante a alteração da quilometragem de carros.
Seu chefe de gabinete durante três anos, Neuromar Gatto, detalhou como funcionava o esquema. Ele revelou que funcionários, dentre eles fantasmas, devolviam parte de seus salários ao parlamentar. “No último dia útil do mês é creditado na conta dos funcionários, dos cargos de confiança, de todo o funcionalismo da Assembleia, é creditado o salário líquido. No primeiro dia útil, subsequente, essas pessoas traziam os valores e entregavam a mim. E eu, naturalmente, passava ao deputado esses valores, como consta nas gravações”, disse.
O próprio deputado fazia uma lista com nomes e valores que deveriam ser devolvidos pelos assessores. “São documentos assim, com a letra dele, mostrando 800 mil reais que ele poderia tirar por ano”, afirmou o ex-assessor. O esquema também envolveu o uso de funcionários fantasmas, que constavam na folha de pagamento, mas não trabalhavam para o deputado. É o caso de Hedi.
Resposta
Em coletiva de imprensa, Basegio negou que em seu gabinete tenha havido suposta extorsão de salários de funcionários e outros esquemas de corrupção. O deputado afirmou que todo o dinheiro que apareceu nas gravações era pessoal, e não de verba pública e de assessores. O pedetista disse que está sendo alvo de denúncias falsas e que tem como único objetivo manchar a sua reputação de político e cidadão: “Se manipulei dinheiro, era dinheiro meu, e não de servidor da Assembleia”, frisou.
Basegio ainda afirmou que seu ex-assessor foi exonerado, em abril do ano passado, de seu gabinete devido ao mau uso de dinheiro público e após a exoneração, o ex-servidor “forjou provas” e “montou cenários” para “denegrir” o trabalho do político. “Estou decepcionado, mas não arrependido. Estou decepcionado pelas acusações levianas, sem possibilidade de defesa. Não tenho nada a esconder. Se equívocos ocorreram, talvez foi por eu confiar demais em uma pessoa que estava há nove anos comigo. Por isso, me coloco à disposição. Vou responder tudo com transparência e clareza”, defendeu-se.
O diretório municipal do PDT divulgou a seguinte nota: “Diante dos graves acontecimentos noticiados em rede nacional, envolvendo figura importante de nosso partido, vem a público declarar que apoia, integralmente, toda e qualquer investigação. O partido aguardará, de forma responsável, a conclusão das investigações, sem qualquer julgamento prévio. Por fim, reafirmamos o compromisso com a verdade e a transparência dos atos dos nossos filiados”.
As revelações contra o deputado serão avaliadas pela Comissão de Ética da Assembleia, a quem caberá decidir sobre possíveis sanções a ele. Em paralelo ao trabalho dos parlamentares, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado investigam as denúncias.