Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 29 de agosto de 2019
Claudionor Sanches Vieira não perde a oportunidade de dançar. O carioca faz pelo menos duas horas de dança de salão por semana e, quando viaja, procura logo um baile onde possa agitar o corpo e o coração. Mas ele não para por aí. Na agenda, ainda cabe ir à academia três vezes por semana, fazer natação mais duas e caminhar dois quilômetros no calçadão de Copacabana, bairro onde mora com a esposa.
Em meio a tudo isso, ainda sobra tempo para cuidar dos afazeres domésticos e cultivar as relações sociais. Digna de alguém no auge da juventude, essa rotina pertence a um senhor que, aos 74 anos, não teme a velhice nem sente o peso da idade.
“Olho em volta e meus amigos estão todos com 70 ou 80 anos. Antigamente, era só brotinho. Percebo que estou ficando velho, mas a velhice é a ordem natural das coisas. Que bom é poder envelhecer, mas com saúde. Isso não me assusta, não”, afirma Vieira.
Laços afetivos
O cotidiano do aposentado poderia servir de cartilha para exemplificar o que especialistas classificam hoje como uma velhice equilibrada. No modelo de vida saudável recomendado para essa fase da vida, o costume de sair de casa e manter os laços afetivos passou a ser visto como tão importante quanto a alimentação e a prática de exercícios.
“Tem que se manter ativo. Nadar, caminhar, namorar, curtir os prazeres da vida. Só reclamar não adianta nada”, ensina ele, que tem três netos e sonha em um dia ser bisavô.
Helenice Charchat Fichman, neuropsicóloga e professora da PUC-Rio, faz coro. Ela explica que a falta de atividades e do convívio social levam o idoso a perder objetivos para o futuro e focar apenas nos aspectos negativos do passado.
“O presente deixa de ser algo motivador porque eles ficam muito isolados, sem fazer coisas diferentes. Então começam a se voltar muito para questões do passado”, ressalta.
A rotina agitada sempre fez parte da vida do aposentado. Quando os pais se separaram, ele e os irmãos se transformaram em arrimo de família enquanto ainda estudavam. O gosto pela dança também nasceu cedo e, nas palavras de Vieira, está impresso em seu DNA.
“Para mim, a dança é vida. Com ela, não tem tempo ruim”, define.
Saúde mental
Atividades coletivas como as que animam o dia a dia de Vieira fortalecem relações e ajudam a driblar a solidão, comum entre indivíduos mais velhos. De acordo com o IBGE, pessoas entre 60 e 64 anos formam o grupo que mais sofre de depressão no país, representando 11,1% dos 11,2 milhões de brasileiros. O isolamento social é um dos principais responsáveis.
Para evitar esse mal, Fichman salienta a importância da família.
“Ela tem o papel de ajudar esse idoso a ter um novo objetivo de vida, criando atividades que o ativem, como buscar os netos na escola”, sugere.