Segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
Por Redação O Sul | 11 de maio de 2015
Executor das operações contábeis conhecidas como “pedaladas fiscais”, o ex-secretário do Tesouro Nacional Arno Augustin tem defendido, nos bastidores, a necessidade de rompimento do PT com a atual política econômica do governo federal. As manobras, realizadas quando o economista ocupou a pasta (2007 a 2014), teriam por objetivo maquiar o aumento dos gastos, a fim de garantir o cumprimento artificial das metas do Palácio do Planalto para o setor. Essa prática pode causar a reprovação das contas da presidenta Dilma Rousseff pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
Um dos assessores presidenciais mais influentes dos últimos quatro anos e conhecido por sua lealdade a Dilma, Augustin deixou o governo em janeiro, decepcionado com a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Já no mês seguinte, em São Paulo, ele surpreendeu com um discurso amargurado, durante um encontro da DS (Democracia Socialista), ala da qual ele é membro no PT. Segundo correligionários presentes no evento, Augustin negou que os problemas da economia sejam causados por maus passos nos últimos anos. O ex-secretário teria atribuído a atual crise à retração mundial e à opressão do capital.
Em outra ocasião, sugeriu que a DS encaminhasse ao diretório nacional do PT um pedido formal de reprovação da política econômica, que considera “neoliberal”. Reconheceu, porém, a necessidade de freios e não citou nomes ao criticar o ajuste em curso, que envolve um corte de 18 bilhões de reais, proposto por Levy, por meio de alterações nas regras de benefícios trabalhistas e previdenciários. Procurado pelo jornal Folha de S.Paulo, Augustin classificou o relato como “mentiroso”, sem dar a sua versão sobre o assunto.
O documento elaborado pela ala petista após o encontro menciona colocações de Augustin, mas em um tom bem mais ameno. Fala, por exemplo, em “clara inflexão conservadora na gestão macroeconômica” e pede a retomada do “desenvolvimentismo social”. Também aponta para o risco de o segundo mandato de Dilma ter, “na melhor das hipóteses”, um reduzido crescimento econômico, com uma alta eventual do desemprego e a expansão residual de políticas sociais, em meio a um contexto de “ajuste virtual vicioso, rigidez inflacionária e dificuldades na balança de pagamentos”.
Refúgio
Quando não está envolvido nas atividades partidárias, Augustin se refugia no interior do Rio Grande do Sul, onde mora com a sua família, afirmam fontes próximas ao petista. Ele e Dilma jamais voltaram a conversar e a presidenta sequer toca em seu nome no Palácio do Planalto. Essa distância surpreende quem testemunhava as reuniões quase diárias entre ambos, considerados “centralizadores”, “turrões” e tão semelhantes entre si que ministros comentavam, em tom irônico, não saber onde começava um e terminava o outro. Mas o ex-subordinado defende a chefe do Executivo quando alguém a ataca, pois a sua decepção se volta para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a criticá-lo publicamente. (Folhapress)