Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 8 de janeiro de 2020
‘Somos aquilo que comemos’, já diria o ditado. Diga-se de passagem, uma sabedoria popular com S maiúsculo: afinal nossa dieta não é limitada apenas a seu valor nutritivo, mas afeta muito do que acontece em nosso corpo, nossa cultura e como nos relacionamos. Há inclusive sinais de que se alimentar bem também impacta positivamente a saúde mental como um todo – até mesmo no caso de distúrbios mentais. Estudo publicado pelo periódico científico European Neuropsychopharmacology, fez uma análise do resultado de centenas de outras pesquisas e sugere algumas dicas de como aliar alimentação e bem-estar mental.
Não leve tudo que ouvir e ler ao pé da letra
Antes de qualquer coisa: assim como nossa compreensão sobre distúrbios mentais ainda é fenômeno recente, a maneira como nossa saúde psicológica é afetada pelo que comemos ainda é assunto relativamente novo. O que significa que muito do trabalho científico sobre o assunto ainda está engatinhando. Os principais problemas? Faltam trabalhos mais amplos, que acompanhem mais pacientes por mais tempo. Além disso, por mais que se enxergue uma reação entre dieta e comportamento, é difícil entender qual o mecanismo que é colocado em ação para fazê-lo acontecer.
Resultados também podem ir por água abaixo quando o voluntário sabe onde o cientista quer chegar com sua pesquisa – há provas de que, em muitos casos, ele ‘coopera’ com o pesquisador ao invés de dar pistas reais para seu estudo. O levantamento observa que muitas pesquisas sobre o tema ‘dieta/saúde mental’ enfrentaram este problema. Ponto positivo? Os pesquisadores esperam que este trabalho motive pesquisa mais precisa sobre o assunto.
Por esta e outras, considere os itens abaixo com cautela.
A dieta mediterrânea pode ser uma boa aliada
A pesquisa coloca destaque em particular na dieta mediterrânea, focada em frutas, legumes, peixes, azeite, oleaginosas, grãos e cereais, assim como no consumo bem limitado de carne vermelha, leite e queijos. O levantamento sugere – através da análise de uma série de estudos – que a adoção desta dieta pode reduzir o risco de depressão.
Nem toda pesquisa observada pelos especialistas chega à mesma conclusão, então ainda é papo incerto. Mas o paper revela uma tendência em favor da dieta mediterrânea no combate ao quadro de depressão. Como de praxe, é um chamado para pesquisa mais precisa, e não um alerta para colocar estes ingredientes no prato o quanto antes.
Fique de olho na vitamina B12
Não há comidas milagrosas, claro. Mas a análise observou que, no conjunto de pesquisas avaliadas, a vitamina B12 aparece como elemento importante. A deficiência dela no organismo está associado a casos de letargia, depressão, psicose e memória fraca.
Também polifenóis e a gordura poli-insaturada
Este tópico tem relação com o anterior: o consumo de milho, óleo de soja, sementes oleaginosas, chocolate e cacau podem ter um impacto positivo no que acontece com sua mente. Estes grupos de alimentos contam com dois compostos importantes: os polifenóis e a gordura poli-insaturada. Segundo o estudo, eles têm o potencial de afetar performance cognitiva, o humor e a reação em situações estressantes.
Os polifenóis em particular, incluindo alimentos como oleaginosas e peixes, podem ser aliados em especial para manter a atividade cerebral saudável no caso de pacientes com idade mais avançada. Mas, quanto aos elementos mais adocicados, vale notar…
Maus hábitos alimentares podem ter um efeito nocivo na sua mente
Se por um lado, há sinais de que dietas específicas podem ter algum impacto positivo na saúde mental, a análise conclui que o excesso de açucares e gorduras faz o oposto, e está relacionado a problemas de memória e o surgimento de comportamento semelhante à ansiedade – efeitos que podem piorar com a idade. O cérebro, afinal, depende de nutrientes para funcionar, como lipídios, aminoácidos, minerais e vitaminas. O mesmo ocorre com hormônios da região visceral, neurotransmissores e afins. Comer mal, portanto, prejudica mecanismos fundamentais para o bom funcionamento cerebral.