Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 12 de novembro de 2019
A Apple decidiu banir da sua loja online um aplicativo criada em julho para monitorizar a atividade de outras pessoas no Instagram. Por 80 dólares por ano (cerca de seis euros por mês), a Like Patrol – que só estava disponível para iOS – avisava os seus usuários sobre quais as publicações que outras pessoas no Instagram gostavam, e quem seguiam ou deixavam de seguir.
Parte do objetivo do aplicativo era substituir um antigo separador do Instagram (“Following”, em inglês) que mostrava as contas e publicações com que os amigos dos usuários interagiam com comentários e gostos. Mas juntava informação sobre os seguidores de cada usuário, e quais as contas com que outros usuários mais interagiam (algo que devia ajudar a identificar interesses amorosos na aplicação).
Segundo o criador da aplicação, Sergio Luis Quintero, em declarações ao site de tecnologia CNET no final de outubro, a Like Patrol era como o antigo separador Instagram “mas com esteróides” e permitia “expor comportamento lascivo, que é abundante no Instagram”.
O projeto, porém, apenas durou quatro meses. A decisão da Apple chega um mês depois de o Instagram ter avisado a Like Patrol para deixar de operar, acusando o serviço de acumular dados dos usuários do site sem permissão da rede social. Na altura, o Facebook (que é o dono do Instagram) explicou que “rastrear os dados dos usuários” não é permitido. A reportagem tentou contatar a equipe da Like Patrol para mais informação, mas não obteve informação até à hora da publicação deste artigo.
O app é um exemplo da tendência recente de usar tecnologia para espiar outros à distância: de programas de espionagem escondidos em celulares que transmitem a localização exata do usuário a programas que dão acesso a mensagens alheias enviadas através do computador. Tanto a loja online do Google como a da Apple têm alguns destes aplicativos disponíveis, embora nem sempre seja óbvio o fim a que se destinam – muitas vezes, são apresentados como apps para a segurança dos menores.
Quando encerrou, a Like Patrol tinha cerca de 300 usuários, de acordo com o fundador.