Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 22 de julho de 2020
A atriz Karen Junqueira, de 37 anos, relatou ter sofrido abuso sexual aos 12 anos pelo pai de uma amiga. O relato foi publicado em uma carta aberta pela revista Cláudia e anunciado em seu perfil no Instagram. “Aos 37 anos, decidi contar minha história. Senti necessidade de acalentar aquela menina que aos 12 anos sofreu abuso e ficou calada”, disse em entrevista.
Após a postagem em seu perfil do Instagram e a divulgação do relato, Karen recebeu o apoio de diversos famosas, dentre elas as atrizes Nada Ziegler, Michelle Batista, Livia Rossy e Giselle Batista.
“Parabéns pela coragem de dividir algo tão doloroso e tão importante. Que sirva para fortalecer as pessoas”, refletiu Livia Rossy nos comentários da publicação. “Arrasou amiga, obrigada pelo relato”, agradeceu Giselle. Já atriz Nanda Ziegler deixou um emoji de coração na postagem, como demonstração de apoio à colega de profissão.
Outros famosos do segmento artístico também prestaram solidariedade à Karen, como os atores Rômulo Arantes e Daniel Erthal, o fotógrafo André Nicolau, o jornalista Ben-Hur Correia e o diretor de cinema Estêvão Ciavatta. “Parabéns parceira, coragem”, escreveu Daniel. “Parabéns pela coragem e iniciativa”, comentou Estêvão.
O relato
Na carta escrita pela atriz, ela relata que, na época, vivia em Caxambu, uma cidade de Minas Gerais. E na noite em que foi abusada, era aniversário de sua melhor amiga e precisou dormir na casa dela. “Era aniversário da minha melhor amiga e acabei passando a noite na casa dela. Eu me lembro de cada detalhe. Estávamos juntas, lado a lado, dormindo na mesma cama. Era tarde da noite, usávamos o mesmo pijama branco estampado com palhacinhos vermelhos. Foi quando meu sono foi interrompido pelo pai dela”, disse Karen. Ela também ressaltou que já estranhava o comportamento inapropriado de alguns homens próximos conhecidos como “tios”.
Segundo a atriz, no momento em que ela sofreu o abuso, ficou sem reação e após o ocorrido, além de ter passado a noite em claro, não conseguia parar de chorar: “Naquele instante meu mundo parou. Eu congelei e sequer consegui abrir os olhos ou a boca para gritar. Lentamente, ele abaixou meu pijama e com seus dedos e língua começou a me tocar. Foram poucos minutos que se transformaram em uma eternidade massacrante. Enquanto ele me abusava, sua filha dormia grudada em mim e eu escutava sua esposa tomar banho. Quando o chuveiro parou, ele rapidamente me vestiu o pijama e deixou o quarto. Eu me contorcia chorando e passei o resto da noite em claro, ainda estarrecida”, relatou.
Karen afirmou que contou sobre o estupro para a mãe depois que o seu pai morreu. E durante a quarentena, quando voltou à cidade natal, encontrou o abusador novamente. “Tive que cruzar com a pessoa que me abusou, vivendo livremente como se nunca tivesse feito algo tão monstruoso”, disse, lembrando que seu relato é uma forma de tentar motivar outras pessoas a falarem sobre suas histórias de abuso e também um alerta aos pais sobre as pessoas que convivem com seus filhos.