Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 7 de maio de 2019
A Chapecoense informou nesta segunda-feira (06), durante uma reunião com jornalistas, que já fechou acordo de indenização com 20 famílias de vítimas da tragédia aérea na Colômbia, em 29 de novembro de 2016, durante a viagem do time para a decisão da Copa Sul-Americana.
O valor gira em torno de R$ 14 milhões e foi parcelado, segundo Paulo Ricardo Magro, diretor financeiro do clube catarinense. Os nomes dos familiares e o parentesco com as vítimas não foi revelado no encontro. No total, a Chape foi alvo de 43 ações cíveis após o acidente e conseguiu o acordo com quase metade.
“Temos 20 acordos encerrados. O que eu digo encerrados não são pagos, mas ajuizados. A Chapecoense vai pagá-los. Isso o departamento jurídico conduz muito bem. Em momento algum a Chapecoense virou as costas para nenhum familiar”, explicou.
A tragédia
O avião que transportava a delegação da Chapecoense para a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional caiu na madrugada do dia 29 de novembro de 2016. O acidente causou a morte de 71 pessoas, entre jogadores, dirigentes, funcionários, convidados, jornalistas e membros da tripulação. O zagueiro Neto, o lateral Alan Ruschel e o goleiro Follmann foram os únicos atletas que sobreviveram. Além dele, Rafael Henzel também foi encontrado com vida – o narrador da Rádio Oeste Capital faleceu no fim de março, vítima de infarto enquanto jogava futebol.
Responsável pela contratação da aeronave da LaMia, a Chapecoense lida com o ônus dos processos jurídicos. Ao todo, 27 eram trabalhistas e feitos por familiares de ex-jogadores e funcionários. Os outros, que totalizam 43, são cíveis, propostos por parentes de vítimas que não possuíam contrato de trabalho com a equipe, como diretores, jornalistas e convidados.
Um dos casos trabalhistas finalizados foi com os familiares do lateral Dener, que morreu aos 25 anos. O clube irá pagar R$ 60 mil por danos morais aos pais do jogador.
O prazo para o ingresso de ações trabalhistas terminou em 29 de novembro de 2018, data que marcou os dois anos da tragédia. A exceção, neste caso, é para funcionários e atletas com filhos menores de 18 anos e que só poderão mover processo quando completarem a maioridade.
Relatório
Em 27 de abril do ano passado, a Aeronáutica Civil da Colômbia divulgou o relatório final sobre o acidente. A conclusão mostrada no documento é que faltou combustível para chegar a Medellín e que a empresa aérea LaMia fez gestão de risco inadequada.
Entre as principais conclusões apresentadas estão:
1- Quarenta minutos antes do acidente, o avião já estava em emergência e a tripulação nada fez. Houve indicação, luz vermelha e avisos sonoros na cabine. “A tripulação descartou uma aterrissagem em Bogotá ou outro aeroporto para reabastecer”, diz o documento;
2- O controle de tráfego aéreo desconhecia a “situação gravíssima” do avião;
3- A tripulação era experiente, com exames médicos em dia;
4- O contrato previa escala entre Santa Cruz e no aeroporto de Medellín, mas a empresa planejou voo direto;
5- A LaMia estava em situação financeira precária e atrasava salários aos funcionários. A empresa sofria de desorganização administrativa;
6- A LaMia não cumpria determinações das autoridades de aviação civil em relação ao abastecimento de combustível. Quando foi apresentado o relatório preliminar, já havia sido destacado que o piloto estava consciente de que o combustível que tinha não era suficiente. O piloto, Miguel Quiroga, “decidiu parar em Bogotá, mas mais adiante mudou de ideia e foi direto para Rionegro”, onde o avião caiu;
7- A Colômbia deve melhorar controles sobre voos fretados.