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Por Redação O Sul | 29 de junho de 2018
O ICI (Índice de Confiança da Indústria) divulgado nesta sexta-feira (29) pela FGV (Fundação Getulio Vargas) recuou 1 ponto em junho de 2018, para 100,1 pontos, menor nível desde janeiro deste ano (99,4 pontos). Com o resultado, o ICI fecha o segundo trimestre (100,7 pontos) 0,2 ponto acima do resultado do primeiro trimestre (100,5 pontos).
“A descontinuidade nos transportes rodoviários de cargas, ocorrida entre o final de maio e o início de junho, aumentou os estoques de produtos finais e reduziu os estoques de insumos, afetando custos, produção, utilização da capacidade e confiança. Embora a pesquisa de junho também traga a boa notícia da melhora das expectativas, esse pode ser um efeito passageiro, influenciado pelo efeito base do fraco desempenho do setor em maio”, afirma Tabi Thuler Santos, coordenadora da Sondagem da Indústria da FGV IBRE.
Acúmulo de estoques entre maio e junho
A confiança industrial recuou em 12 dos 19 segmentos industriais em junho. O ISA (Índice da Situação Atual) caiu 5,5 pontos, para 95,1 pontos, menor nível desde setembro de 2017 (90,8). Em movimento oposto, o IE (Índice de Expectativas) subiu 3,4 pontos, para 105 pontos, o maior patamar desde maio de 2013 (105,4).
A expressiva piora do nível dos estoques foi determinante para a queda da confiança no mês. O percentual de empresas com estoques excessivos aumentou de 7,9% para 12,8% entre maio e junho – o pior desde abril de 2017 (12,9%). Já a proporção de empresas com estoques insuficientes aumentou de 3,9% para 4,5%, retornando ao mesmo nível de abril de 2018.
As melhores expectativas de contratação e produção influenciaram igualmente a alta do IE em junho. O indicador de evolução do pessoal ocupado nos três meses seguintes subiu 6,2 pontos, para 107,3 pontos – o maior desde junho de 2011 (108,8); e o indicador de produção prevista para os três meses seguintes subiu 5,8 pontos, para 108,0 pontos, o maior desde maio de 2013 (108,1).
O Nuci (Nível de Utilização da Capacidade Instalada) recuou para 76,2% em junho, 0,3 ponto percentual abaixo do resultado de maio. Esta é a primeira redução no Nuci desde setembro de 2017. Em termos trimestrais, o Nuci alcançou 76,4% no segundo trimestre, um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre deste ano.
Serviços
O ICS (Índice de Confiança de Serviços) caiu 2,1 pontos em junho e atingiu 86,7 pontos, menor nível desde setembro de 2017, após quatro meses de quedas consecutivas. Em médias móveis trimestrais, o índice segue a mesma tendência negativa, com diminuição de 1,6 ponto, conforme a FGV.
“A confiança do setor de serviços manteve, em junho, a trajetória de queda iniciada em março, influenciada pela continuidade do movimento de calibragem das expectativas, sobretudo em relação ao ambiente de negócios, e pela deterioração da percepção sobre a situação corrente. A greve dos caminhoneiros, em maio, desorganizou de modo significativo vários segmentos da economia e contribuiu ampliando assim os efeitos negativos sobre a confiança relacionados à incerteza política. O cenário é de uma recuperação bastante discreta no nível de atividade para os próximos meses.” analisa Silvio Sales, consultor da FGV IBRE.