Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 25 de maio de 2018
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou ser mentira que a Petrobras estava falida e chamou de “barbaridade” a variação diária dos preços dos combustíveis, em uma crítica à política de preços adotada na estatal com o fim do seu governo. “É uma falsidade dizer que a Petrobras estava em uma situação falimentar. É mentira da mais vergonhosa qualidade, porque é contra o País”, disse Dilma.
A petista discursou na quinta-feira (24) em um caminhão de som em um ato realizado por servidores da educação na abertura da Conferência Nacional Popular de Educação, no Centro de Belo Horizonte (MG). Na noite de quinta-feira, o presidente Michel Temer (MDB) também esteve na capital mineira e, durante uma solenidade da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), anunciou o acordo com os caminhoneiros para dar fim à greve que gerou uma crise de desabastecimento no País.
No governo Temer, os preços praticados pela estatal passaram a acompanhar a variação internacional do preço do petróleo, o que não ocorria na gestão petista, quando o produto era vendido abaixo do preço de mercado como estratégia para segurar a inflação.
Segundo Dilma, porém, a estatal vinha dando lucros acima da média e seu governo não fez malabarismos. “Pegaram a Petrobras, usaram a Petrobras, disseram que a Petrobras estava quebrada. E nós sabemos que a Petrobras não está quebrada”, afirmou. A petista disse que a variação diária no preço da gasolina e do diesel inviabiliza a vida dos caminhoneiros. “Em nenhum lugar do mundo se deixa uma barbaridade do tamanho dessa.”
Nem no governo liberal de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), disse ela, “ousaram fazer reajuste diário de preço, porque isso é um crime contra o País”. “O governo golpista é um fracasso. Está sendo derrotado incrivelmente pela sua própria inconsequência, incapacidade de gerir um país complexo como o Brasil”, completou. Dilma ainda fez uma defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR), e da educação, tema da manifestação.
Acordo
Enquanto Temer assistia ao evento em comemoração ao Dia da Indústria, em Belo Horizonte, o governo e um grupo de caminhoneiros chegaram a um acordo para suspender por 15 dias as paralisações nas estradas. No entanto, o acerto não teve consenso geral entre as entidades que representam a categoria.
“A incidência maior do tributo é um tributo de natureza estadual, é o ICMS, e nós queremos que amanhã nós também possamos retirar uma parcela do ICMS”, disse o presidente, sendo interrompido por aplausos da plateia.
A fala gerou um clima de constrangimento com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), que havia acabado de discursar cobrando medidas de Temer para solucionar a crise, como a revisão da política de preços da Petrobras.