Quinta-feira, 27 de março de 2025

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
27°
Mostly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail ou WhatsApp.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas A verdade que cura: um tributo ao pecuarista gaúcho

Compartilhe esta notícia:

A carne vermelha não é veneno. É remédio. É nutriente. É força. É cura. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Foi em um daqueles encontros que a vida organiza com precisão cirúrgica que conheci Paulo. Eu palestrava em um evento sobre o poder terapêutico da carne, e à minha frente, uma plateia composta majoritariamente por produtores rurais — homens e mulheres calejados, mas silenciados.

Silenciados por uma campanha difamatória que, há décadas, pintou a carne vermelha como vilã, pecado e veneno.

Ali estavam eles: os que alimentam o mundo, mas que carregavam nos ombros um fardo invisível — o peso de acharem que estavam prejudicando a saúde das pessoas com aquilo que produzem com amor, suor e honra.

Falo do Sul do Brasil, esse pedaço abençoado de terra, onde o bioma parece ter sido desenhado por Deus para pastagens naturais e para a produção de carne de qualidade ímpar. Aqui, entre campos nativos, céu aberto e gado solto, nasce a carne mais nutritiva do mundo. E mesmo assim, seus produtores andam acuados.

A cada slide que eu projetava, mostrando dados, gráficos, estudos…
A cada palavra que saía da minha boca para enaltecer a riqueza nutricional e o poder curativo da carne, eu via olhos marejados. Sentia um silêncio profundo, denso, quase sagrado.

Era como se eu estivesse tirando um piano das costas daqueles homens.
O peso da culpa infundada. A dor da injustiça. A vergonha imposta por narrativas distorcidas.

A produção rural — seja a agricultura ou a pecuária — é um ato de amor à terra. É acordar antes do sol, enfrentar intempéries, abrir mão de feriados e finais de semana. Quando esse ofício é atacado, a alma de quem o exerce também sangra. Mostrar o que está por trás da demonização da carne — os interesses corporativos, as diretrizes enviesadas, o lucro que se esconde por trás de alimentos ultraprocessados e rótulos coloridos — foi, para muitos ali, uma catarse.

No final da palestra, um senhor se levantou. Caminhava devagar, mas com o olhar firme. Aproximou-se de mim, apertou minha mão com força e disse:
— Doutor, eu precisava ouvir isso. Obrigado.

Chamavam-no de Paulo — nome fictício para preservar sua identidade, mas a história, essa é real.

Respeitado por todos como um verdadeiro mestre na criação de gado. No entanto, por trás da aparência forte e do sorriso gentil, havia algo que doía. Pediu meu contato. Duas semanas depois, estava sentado na minha frente no consultório.

Paulo estava doente. E muito.

Obeso, com hemoglobina glicada próxima de 10%, mesmo em uso de antidiabéticos. Hipertenso. Sofria com uma esteatose hepática severa. Dormia mal, vivia cansado. O olhar, antes vívido, estava opaco. Seu corpo parecia pedir socorro.

Como faço com todos os meus pacientes, tracei uma linha no tempo. Mostrei a ele de onde viemos, o que comíamos, como vivíamos, o ambiente no qual nossa fisiologia foi forjada. Falei do que chamo de Ciclo Original — uma maneira de viver que respeita o corpo, a história, a biologia.

E então, olhando nos olhos dele, eu disse:
— Paulo, a cura está justamente naquilo que você tão brilhantemente produz.

Naquele momento, ele se emocionou. Era como se tudo fizesse sentido. Como se, enfim, alguém tivesse autorizado ele a voltar para casa.

Criamos juntos um plano de seis meses. Um mergulho profundo na alimentação ancestral. Acompanhamento diário com minha equipe. Adesão completa ao Ciclo Original. Nada de extremismos artificiais. Apenas ciência , fisiologia e comida de verdade.

E o que aconteceu foi quase inacreditável — embora absolutamente previsível quando respeitamos as leis do corpo:

* Em quatro meses, Paulo reduziu drasticamente os medicamentos para diabetes e hipertensão;

* Em seis meses, sua hemoglobina glicada caiu de quase 10% para 6,0% — fora da faixa diagnóstica do diabetes;

* A esteatose hepática desapareceu;

* Os marcadores inflamatórios normalizaram;

* Perdeu 16 quilos de gordura;

* Voltou a dormir bem;

* Recuperou a energia, o humor, a disposição;

* E, acima de tudo, resgatou sua identidade.

O homem que produzia carne agora era curado por ela.

O produtor passou a ser também o exemplo.

Aquele que por décadas alimentou o mundo, agora se sentia nutrido por sua própria criação.

Essa é a força da carne.

Esse é o poder de reconectar as pessoas com suas origens.

Esse é o milagre da fisiologia: um corpo doente por décadas pode, sim, renascer em poucos meses — desde que volte ao ambiente certo.

E Paulo é a prova viva disso.

E é também o símbolo de uma verdade que precisa ser dita em alto e bom som: a carne cura.

Mas ela só existe porque existe você, produtor.

Você que levanta cedo, enfrenta o frio cortante da campanha, o calor escaldante das coxilhas, o barro, o vento, a seca. Você que conhece o cheiro da chuva chegando, que sabe o momento exato de apartar o gado, que aprendeu a ouvir a natureza mais do que os discursos prontos das cidades.

Você, pecuarista gaúcho, é um guardião silencioso de uma das maiores riquezas nutricionais do mundo.

E mesmo assim, por anos, tentaram calar sua voz. Te fizeram acreditar que seu trabalho era nocivo. Que sua lida era parte do problema. Que o que você fazia com tanto amor, dedicação e respeito era um erro.

Hoje, com respaldo da ciência verdadeira, da clínica médica, da fisiologia e da experiência de milhares de vidas transformadas, eu digo com convicção: o que você produz com as mãos é o que pode salvar milhões de vidas.

A carne vermelha não é veneno. É remédio. É nutriente. É força. É cura.

Que essa verdade possa devolver o orgulho de quem nunca deveria ter deixado de se orgulhar.

Que o pecuarista gaúcho — que produz com ética, pasto, tradição e excelência — volte a ocupar o lugar de honra que merece.

Não apenas como produtor de alimento. Mas como protetor da saúde pública, como aliado da longevidade humana, como parte da solução e não do problema.

Do campo para o prato.

Do boi para a vida.

Do sul do Brasil para o mundo.

Obrigado, produtor.

Dr. Fernando Bastos é médico, palestrante e escritor. Autor do best seller “O Ciclo Original”

* Instagram: @drfernandobastos

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Lideranças do PT mobilizam redes sociais para julgamento de denúncia contra Bolsonaro no STF
Ratinho Jr. na fila
https://www.osul.com.br/a-verdade-que-cura-um-tributo-ao-pecuarista-gaucho/ A verdade que cura: um tributo ao pecuarista gaúcho 2025-03-25
Deixe seu comentário
Pode te interessar