Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 26 de maio de 2021
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) vai analisar dados científicos disponíveis sobre o uso de doses diferentes de vacinas anti-covid, informam fontes nesta quarta-feira (26).
A ideia é analisar se a primeira dose de um imunizante e a segunda dose de outro conseguem aumentar a proteção. Caso as indicações sejam suficientes, o órgão poderá emitir uma orientação aos países europeus.
Na terça-feira (25), o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, propôs durante o Conselho Europeu que a EMA se pronunciasse sobre o “mix” de vacinas porque isso aumentaria a flexibilidade dos planos nacionais de vacinação.
Atualmente, há estudos em diversos países sobre o que acontece no organismo com a aplicação de diversas vacinas contra o coronavírus Sars-CoV-2, incluindo o Reino Unido.
Estudo espanhol
Um estudo espanhol sobre a mistura de vacinas diferentes contra a covid-19 apontou que administrar uma dose do imunizante da Pfizer/BioNTech em pessoas que receberam a primeira dose da vacina de Oxford/AstraZeneca é altamente seguro e efetivo, disseram pesquisadores, com base em dados preliminares.
O estudo Combivacs, conduzido pelo Instituto de Saúde Carlos III, da Espanha, descobriu que a presença de anticorpos IgG na corrente sanguínea era entre 30 e 40 vezes maior em pessoas que receberam a injeção da Pfizer como segunda dose do que em um grupo de controle que recebeu apenas uma dose da vacina da AstraZeneca.
Enquanto isso, a presença de anticorpos neutralizantes aumentou sete vezes após a dose de Pfizer, significativamente mais do que o efeito de duplicação observado após uma segunda injeção da AstraZeneca. A vacina Oxford/AstraZeneca usa adenovírus, enquanto o imunizante da Pfizer/BioNTech é baseada no RNA mensageiro (mRNA).
Cerca de 670 voluntários com idades entre 18 e 59 anos que já haviam recebido a primeira dose da vacina da AstraZeneca participaram do estudo, com cerca de 450 deles recebendo uma dose da Pfizer.
Apenas 1,7% dos participantes relataram efeitos colaterais severos, que se limitaram a dores de cabeça, dores musculares e mal-estar geral, disse Magdalena Campins, uma das líderes do estudo.
“Estes não são sintomas que podem ser considerados sérios”, disse ela.
Em um estudo no Reino Unido sobre “misturar e combinar” vacinas, as primeiras descobertas mostraram recentemente que as pessoas vacinadas com uma injeção da Pfizer seguida por uma dose da AstraZeneca, ou vice-versa, eram mais propensas a relatar sintomas leves ou moderados, como dores de cabeça ou calafrios, do que se recebessem dois do mesmo tipo. Dados sobre as respostas imunológicas ainda são esperados nos próximos meses.