A bancada evangélica elegeu um de seus fundadores, o deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), para liderá-la nos próximos dois anos. Em uma disputa polarizada contra Otoni de Paula (MDB-RJ), que terminou rechaçado por sua proximidade com o governo federal, Nascimento se tornou o primeiro presidente da Frente Parlamentar Evangélico a ser eleito por votos. Usualmente, os parlamentares entram em consenso.
Em seu quarto mandato na Câmara dos Deputados, Gilberto Nascimento é respeitado na bancada e tido como o “ancião”, por ter participado da fundação ainda em 2003. Esta é a primeira vez que ele assume a liderança da bancada. Seu nome chegou a ser cotado em outras ocasiões, mas ele sempre dizia não ter interesse.
Tudo mudou neste ano, quando o nome apoiado pelos antigos dirigentes que fizeram uma presidência alternada no biênio passado, Silas Câmara (Republicanos-AM) e Eli Borges (PL-TO), resolveram endossar a candidatura de Otoni. Os acenos recentes do emedebista ao Palácio do Planalto fizeram com que os demais parlamentares buscassem uma alternativa.
A ala bolsonarista se organizou em torno de Gilberto Nascimento, tido como um perfil moderado e conservador. Apesar de ter recebido o apoio pessoal de Jair Bolsonaro (PL) e do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ele rejeita o rótulo de “bolsonarista”.
Apesar do distanciamento, o deputado conferiu apoios tímidos a Bolsonaro no passado. Em 2018, chegou a assinar uma carta de endosso à candidatura presidencial, junto a outros colegas da bancada evangélica. O texto afirmava que um governante de esquerda poderia limitar o direito de crença e a liberdade religiosa”.
Advogado de formação e ex-delegado da Polícia Civil, Nascimento ingressou na política em 1982. Antes de ser deputado federal, foi vereador de São Paulo e teve dois mandatos na Alesp.
Ao longo de sua trajetória passou por alguns partidos políticos, desde o MDB ao PSB. Ele sempre esteve ao centro em sua atuação, tendo votado a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Ele chegou a ser indiciado pela Polícia Federal em 2007 no escândalo das sanguessugas, um esquema de corrupção que desviava recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) para a compra de ambulâncias superfaturadas, mas a investigação não avançou. Ele foi inocentado no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso.(O Globo)