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Geral Ao colocar Marcio Pochmann na chefia do IBGE, Lula jogou o instituto na fogueira

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Nas últimas semanas, quatro diretores do IBGE, todos servidores de carreira, pediram exoneração dos cargos, citando divergências com o presidente Márcio Pochmann. (Foto: Jose Cruz/ Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode se queixar da atual crise no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), porque foi ele quem a produziu, ao nomear um fiel sabujo seu para presidir o instituto. Não se podia esperar outra coisa do economista Marcio Pochmann, aquele para quem a criação do Pix seria “um passo na via neocolonial a qual o Brasil já se encontra ao continuar seguindo o receituário neoliberal”. Só essa declaração deveria bastar para desqualificá-lo, mas Lula achou que era o caso de colocar no comando do principal provedor oficial de dados econômicos e sociais do País um companheiro cuja única competência é a lealdade absoluta ao PT e a Lula.

Se o governo está preocupado com a turbulência no IBGE – e deveria estar –, está mais do que na hora de demitir o sr. Pochmann, que poderá ser mais útil animando assembleias petistas ou reuniões de grêmios estudantis.

Nas últimas semanas, quatro diretores do IBGE, todos servidores de carreira, pediram exoneração dos cargos, citando divergências com Pochmann. Na escalada da crise, 136 servidores – a maioria gerentes e coordenadores – publicaram carta aberta de apoio aos exonerados em que denunciam o “viés autoritário, político e midiático” da atual gestão. O documento já reúne mais de 670 assinaturas e, em resposta, Pochmann ameaçou recorrer à Justiça para impedir a “disseminação de inverdades” e, em denúncia ao Ministério Público, fala da “existência de consultorias privadas de servidores instaladas ilicitamente dentro do IBGE”.

Hoje bombardeado por críticas de economistas de diferentes matizes e sob a desconfiança do corpo técnico do IBGE, Pochmann já havia causado crise semelhante quando administrou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no segundo mandato de Lula e no primeiro de Dilma Rousseff. Na época, pesava sobre ele a gestão tendenciosa que causou uma debandada inédita de pesquisadores.

É sintomático que uma das poucas vozes a defender o presidente do IBGE tenha sido a da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para quem “o caráter político e partidário da campanha contra Pochmann é evidente”.

A credibilidade do IBGE depende não apenas do apuro técnico, mas, sobretudo, de seu distanciamento claro da rinha política. Quanto mais o instituto parecer próximo do governo, menor será a confiança dos agentes econômicos e da população em geral nos dados ali produzidos. Não são poucos os brasileiros que desconfiam do índice de inflação oficial ante a percepção, obviamente subjetiva, de que a alta de preços é maior. Cabe ao governo não dar chance para que essa suspeita se consolide.

Há meses o caldeirão interno do instituto fervilha, mas Lula prefere fingir indiferença. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, pasta à qual o IBGE é vinculado, mantém distância semelhante à adotada quando foi mantida à parte do processo de escolha para o instituto: em nota, o Ministério diz que acompanha os desdobramentos, mas destaca a autonomia do órgão. É pouco. Enquanto o sr. Pochmann estiver à frente do IBGE, a crise continuará e poderá custar muito caro ao Brasil. (Opinião/Estadão Conteúdo)

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