Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2025
Um dia após a ofensiva comercial lançada por Donald Trump, com tarifas em larga escala, as principais Bolsas de Valores do mundo operaram em forte queda nessa quinta-feira (3), com os investidores cautelosos sobre as possíveis consequências na inflação e no crescimento das economias. O dólar caiu no mundo todo. No Brasil, a moeda americana recuou mais de 1%, fechando a R$ 5,62, menor patamar desde outubro.
O Ibovespa abriu em queda, mas inverteu o sinal e fechou praticamente estável. Na Europa, as quedas foram tão fortes que o índice que reúne ações de diversos países da região, o Stoxx 600, teve queda de 2,67%, a maior desde agosto do ano passado.
O índice Stoxx de bancos, que esteve em destaque no rali das bolsas europeias no começo do ano, recuou 4,62%, e o índice Stoxx do setor de automóveis e fabricantes de autopeças teve queda de 3,82%.
Em reação ao tarifaço, todas as principais Bolsas da Europa fecharam em queda:
– Frankfurt: – 3,01%;
– Londres: -1,55%;
– Paris: -3,31%;
– Milão: -3,60%;
– Madri: -1,19%.
O Citi vê que, com uma tarifa de 20%, o choque negativo para o crescimento da União Europeia pode ser muito maior do que o esperado, com possibilidade de chegar a 1 ponto percentual, devido às “não linearidades nas elasticidades do comércio”, dizem analistas, em relatório. Para o banco, a incerteza deve aumentar, e não diminuir, pesando ainda mais sobre o crescimento.
Trump anunciou as chamadas tarifas recíprocas, em evento nos jardins da Casa Branca ontem. Os produtos brasileiros serão taxados em 10% a partir de sábado, assim como uma centena de países. Essa é a menor alíquota dentro da lista de nações atingidas pela nova política tarifária da Casa Branca.
Mas outros países terão uma sobretaxa bem maior, como a China, que terá tarifa recíproca de 34%, além dos 20% que já haviam sido aplicados. Os produtos da União Europeia serão taxados em 20%.
Nos EUA, as Bolsas desabaram. Análise da Bloomberg diz que o S&P já perdeu US$ 1,7 trilhão como resultado das tarifas, pois elas afetam duramente empresas americanas, como Apple e Nike, que têm fábricas em países asiáticos. Confira o fechamento dos índices do mercado americano:
– S&P: – 4,84%;
– Dow Jones: -3,98%;
– Nasdaq: – 5,97%.
“Os números são surpreendentemente altos em comparação com o que as pessoas esperavam e são inexplicáveis de muitas formas”, disse Peter Tchir, chefe de estratégia macro da Academy Securities, ao jornal The New York Times. “É um desastre.”
A União Europeia afirmou que as tarifas são um “golpe na economia mundial”, mas afirmou que “ainda não é tarde demais” para negociações.
Mas é na Ásia onde estão os países mais afetados pela nova política de Trump. As Bolsas do continente fecharam com desvalorização:
– Tóquio: – 2,77%;
– Shenzhen: – 1,40%;
– Xangai: – 0,24%;
– Hong Kong: – 1,52%;
– Seul: – 0,76%.
O presidente republicano impôs tarifas elevadas para várias economias da região, incluindo aliados importantes como Japão (24%), Coreia do Sul (25%) e Taiwan (32%). Para a Tailândia, o imposto será de 36%, enquanto para o Vietnã, um polo manufatureiro essencial na cadeia global, a taxa atingirá 46%.
Petróleo caiu mais de 6%
Diante de tanta incerteza, os investidores correram para ativos considerados seguros, como o ouro, num primeiro momento. O metal chegou a alcançar cotação recorde de US$ 3.167,84 (R$ 17.927) a onça (31,1 gramas). No fechamento foi cotado a US$ 3.129,10 a onça.
No mercado cambial, o dólar caiu mais de 2% em relação a uma cesta de moedas, registrando seu pior dia desde o fim de 2022.
No Brasil, a moeda americana recuou 1,23%, fechando a R$ 5,62, menor patamar desde outubro do ano passado. O Ibovespa abriu o dia em baixa, inverteu o sinal e passou a subir, mas fechou na estabilidade, com ligeira queda de 0,04%.
No mercado de petróleo, o preço do barril de Brent, referência global, recuou 6,78%, a US$ 69,87, e o de seu equivalente americano, o Texas (WTI), caiu 6,64%, a US$ 66,95.
Com, isso, as ações da Petrobras caíram com força. Os papéis PN (sem direito a voto) da petroleira recuaram 3,15%, enquanto as ON (com voto) cederam 3,45%. As informações são do jornal O Globo.