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Apple “mata” o seu iPhone mais barato e aumenta a faixa de preços com o modelo 16e

A Apple apresentou no último dia 19 o novo iPhone 16e, estreando uma nova série de telefones de entrada. (Foto: Divulgação)

A Apple apresentou no último dia 19 o novo iPhone 16e, estreando uma nova série de telefones de entrada. O modelo é mais caro que o SE, que acaba de ser aposentado, mas oferece recursos mais avançados. Para analistas de mercado, a empresa tenta, com isso, cooptar novos usuários sem perder receitas.

A empresa já teve o iPhone 5c (já descontinuado e que era uma opção barata à época) e o iPhone SE (também descontinuado e que foi pensado como um smartphone de entrada, mas com funções avançadas). Questionada, a Apple diz apenas que o lançamento completa a família iPhone 16.

O 16e tem tela de 6,1 polegadas (o SE tinha 4,7″) e desbloqueio com FaceID (aposentando o desbloqueio com impressão digital). O ponto negativo é que o celular só tem uma câmera na traseira – até celulares Android simples têm mais de um sensor.

O chip A18 é o mesmo do iPhone 16 e libera recursos de IA. Isso permite que o celular tenha o Apple Intelligence, ou seja, você pode pedir para a inteligência ajudar na escrita de texto, criar resumos de páginas web ou buscar fotos descrevendo uma cena. Além do novo iPhone 16e, apenas os iPhones 15 Pro (lançados em 2023) ou superiores contarão com esses recursos. Por enquanto, essas funcionalidades não estão disponíveis em português, mas a Apple promete liberá-las no Brasil em abril.

O iPhone 16e é a versão mais barata da Apple, mas conta com funções avançadas. Como a empresa não vende mais os iPhones 15 Pro, o novo aparelho custa nos EUA US$ 599 (128 GB) – no Brasil, ele sai por R$ 5.799 em pré-venda. O iPhone SE (2022) saiu de linha e não é mais vendido na loja oficial da Apple no Brasil — ele tinha preço sugerido de R$ 4.299 (64 GB).

O iPhone SE, que era “baratinho”, era muito vendido? Não. De acordo com a CounterPoint Research, em 2016, ano de estreia da categoria, a comercialização do iPhone SE representou 10% daquele ano. Em 2020, foi 13%. E no ano passado 1%. Isso quer dizer que a estratégia da Apple é outra: atrair gente para o ecossistema com telefones mais sofisticados.

“A real é que o iPhone SE nunca vendeu bem. Então, do ponto de vista de marketing, colocar um modelo de entrada na linha mais sofisticada faz sentido e pode incentivar donos de iPhones antigos a migrarem para o novo iPhone 16e”, diz Tina Liu, analista de mercado da Counterpoint Research.

Segundo a empresa de pesquisa de mercado Counterpoint Research, a Apple ainda aposta no modelo barato, ainda que os modelos Pro e convencionais sejam os mais vendidos, porque isso ajuda a “expandir a adoção de iPhones como uma opção de design compacto e preço baixo”, explica Varun Mishra, analista sênior da companhia.

– O iPhone vira uma porta de entrada para outros produtos da Apple: Assim, quem tem o telefone pode potencialmente comprar um relógio (Apple Watch), fones de ouvido (AirPods) e etiquetas de identificação (Airtags). A maioria desses itens funciona exclusivamente com aparelhos da empresa.

– Celular tem papel estratégico em mercados sensíveis a preço, como América Latina e Sudeste Asiático: “Ele ajuda a Apple manter sua competitividade nessas regiões, ao trazer muitos usuários para o ecossistema pela primeira vez”, diz Le Xuan Chiew, analista da consultoria Omdia. Para os especialistas, a linha de entrada também têm apelo para donos de iPhones antigos que querem acesso a novos recursos.

– iPhone 16e vem para tentar aquecer as vendas da Apple: Nos últimos anos, não houve grandes transformações que fizessem as pessoas procurarem o aparelho e as vendas ficaram estáveis. Ao aumentar preço, mas oferecer o que tem de mais avançado (o Apple Intelligence), a empresa espera aumentar receitas e ampliar o número de usuários.

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