Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 27 de fevereiro de 2025
Se você pesquisar sobre hábitos saudáveis de sono nas redes sociais, pode acabar encontrando várias postagens argumentando que as mulheres precisam dormir mais do que os homens – algumas até afirmam que é uma diferença “dramática”. Os motivos apresentados variam, incluindo diferenças hormonais e a ideia de que o cérebro delas trabalha mais rápido do que o deles.
Acontece que não há nenhuma pesquisa legítima que comprove essas afirmações.
“Não há evidências de que exista uma razão biológica fundamental para as mulheres precisarem de mais sono”, afirma Suzanne Bertisch, médica especialista em distúrbios do sono no Hospital Brigham and Women’s, em Boston.
Em média, as mulheres realmente passam alguns minutos a mais na cama todas as noites do que os homens, mas isso não significa que precisem de mais sono, diferencia ela.
Apenas alguns estudos analisaram as diferenças na duração do sono entre homens e mulheres. Em um estudo de referência de 2013, pesquisadores analisaram dados de pesquisas realizadas com mais de 56.000 adultos nos Estados Unidos. Quando os participantes foram questionados sobre como haviam passado as últimas 24 horas, as mulheres relataram ter dedicado, em média, 11 minutos a mais ao sono na noite anterior do que os homens.
No entanto, isso não significa necessariamente que elas realmente tenham dormido 11 minutos a mais do que eles. Como o estudo explicou, o tempo relatado pelos participantes também incluía os minutos que passaram tentando dormir – e as mulheres são muito mais propensas do que os homens a sofrer de insônia, informa Rebecca Robbins, cientista do sono e professora assistente de medicina na Escola de Medicina de Harvard. O estudo de 2013 também descobriu que as mulheres tinham quase cinco vezes mais chances do que os homens de relatar interrupções no sono devido a cuidados com terceiros, geralmente crianças.
Pesquisas sugerem que as mulheres, em média, experimentam um sono de menor qualidade do que os homens – independentemente de serem cuidadoras ou não. Por exemplo, uma pesquisa online de 2023, realizada com mais de 2 mil adultos pela Academia Americana de Medicina do Sono, descobriu que as mulheres tinham quase o dobro de probabilidade em relação aos homens de dizer que raramente ou nunca acordavam se sentindo bem descansadas.
Quanto às razões pelas quais as mulheres tendem a dormir pior do que os homens, os pesquisadores ainda não têm respostas definitivas. Mas há algumas teorias.
O hormônio progesterona está ligado a uma melhor qualidade do sono, e quando seus níveis caem antes da menstruação, as mulheres tendem a dormir pior, ensina Shelby Harris, psicóloga clínica em Nova York especializada em distúrbios do sono. As mulheres também costumam relatar dificuldades para dormir no período que antecede e segue a menopausa, quando os níveis hormonais mudam.
Em comparação com os homens, elas também costumam assumir mais responsabilidades com cuidados e afazeres domésticos, o que pode dificultar tanto o adormecer quanto a manutenção do sono. Lembrar de buscar a roupa na lavanderia, checar como estão os parentes, levar os filhos à escola e agendar consultas médicas – “todas essas pequenas coisas podem contribuir para a preocupação, e preocupação e estresse são dois dos maiores fatores que prejudicam nosso sono”, avalia Rebecca.
Distúrbios do sono, como insônia, apneia do sono e síndrome das pernas inquietas, tornam-se mais comuns entre as mulheres com o envelhecimento. Muitas mulheres com apneia do sono não são diagnosticadas porque não apresentam sintomas clássicos como ronco ou acordar ofegante, explica Rachel Salas, neurologista e especialista em medicina do sono da Johns Hopkins Medicine.
A quantidade de tempo que uma pessoa dorme – e a qualidade desse sono – não indicam necessariamente quanto sono ela realmente precisa. “Essas coisas nem sempre são a mesma coisa”, comenta Rebecca.
A National Sleep Foundation afirma que os adultos geralmente precisam de algo entre sete e nove horas de sono por noite, mas a quantidade exata varia de pessoa para pessoa, explica Shelby. “Não existe um número mágico único para todos”, diz.
Rebecca acrescenta que pode ser útil monitorar o sono com um smartwatch ou outro dispositivo de rastreamento para garantir pelo menos sete horas de descanso por noite. No entanto, muitas vezes, a melhor maneira de saber se você está dormindo o suficiente é avaliar como se sente ao longo do dia. Se você está frequentemente exausto, isso pode ser um sinal de que não está dormindo o suficiente e até mesmo de que tem um distúrbio do sono.
“Se você sente que dorme o suficiente, mas ainda assim está cansado ou tem dificuldade para se manter acordado”, diz Rachel, “esses são motivos para conversar com seu médico”. As informações são do jornal The New York Times.