Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 1 de março de 2025
Faz todo sentido político o presidente Lula tratar, pessoalmente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com cortesia. Não foram à toa as frases gentis trocadas com o governador no evento de lançamento de obras em São Paulo, nesta quinta-feira, 27. Para Lula, é bem melhor o confronto continuar com um candidato inelegível, virtualmente condenado à cadeia – e sem votos entre os setores mais moderados da sociedade.
O pior cenário para Lula, em baixa nas pesquisas, é que as pessoas identifiquem qual é o sujeito do antipetismo da vez. Polarizar com Tarcísio é dar palco para adversário viável. Há uns 40% do eleitorado que está ansioso por saber qual será esse nome a combater Lula na era pós-Bolsonaro. E uns 12% vão votar nesse sujeito se for ao mesmo tempo contra o PT e não seja radical e sectário. Civilidade na política é excelente, mas não é por essa característica que Lula poupa o governador – o PT sabe muito bem o que é atacar com agressividade – e do nível bolsonarista de pancada – se for para ter mais poder.
Já para Jair Bolsonaro, o drama é outro. Com a perspectiva de ir para a cela, precisa se fiar na sua popularidade com os seguidores como proteção. Mas há uma questão aí: Bolsonaro se tornou estimado pelo fato de ele ter sido alguém que para parte expressiva da população finalmente teve coragem de enfrentar o petismo – os tucanos eram vistos como falsa oposição, tíbios e tímidos – e poderia perder o posto.
Com Tarcísio em evidência, Bolsonaro perde um de seus maiores trunfos políticos. Deixa de ser o número 1 para ser o número 2 no coração dos oposicionistas. Sua provável prisão pode provocar choros e suspiros, mas o que realmente importa para tanta gente – tirar o PT do poder – estaria já encaminhado com outra pessoa – o mais bem colocado é o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes.
O clima amistoso e a troca de gentilezas entre Lula e Tarcísio de Freitas em um evento em Santos (SP), nesta quinta-feira, chamou a atenção de Jair Bolsonaro. Aliados do ex-presidente relataram que ele mostrou surpresa com o tom da troca de elogios e passou o recibo de que não gostou do que viu. O ex-presidente, no entanto, sinalizou que não pretendia escalar o episódio e evitou fazer críticas abertas ao governador de São Paulo, pelo menos até a noite de quinta-feira.
Um dos fatores da queixa do entorno de Bolsonaro sobre os afagos entre Tarcísio e Lula foi o timing político dos gestos. As falas de cortesia aconteceram em meio à investida da gestão de Donald Trump contra o Judiciário e ao governo brasileiros, estimulada pelos bolsonaristas. Aliados do capitão reformado destacam que Tarcísio teceu elogios a Lula em um momento no qual a oposição tenta colar a imagem de autoritarismo no governo. As informações são dos portais Estadão e o Globo.