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Por Redação O Sul | 17 de maio de 2020
Uma equipe liderada por astrônomos Universidade de Sydney, na Austrália, detectou os padrões de pulsação de um tipo de estrela conhecido como Delta Scuti. As observações só foram feitas graças a um projeto da Nasa (Agência Espacial Americana) conhecido como Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS). Segundo um artigo publicado na última quarta-feira (13), na revista Nature, a descoberta é revolucionária para os estudiosos da área.
As Delta Scuti são estrelas de tamanho intermediário com massa equivalente a cerca de 1,5 a 2,5 vezes a do Sol. Elas foram nomeadas desta forma após um outro astro parecido com elas ter sido encontrado na constelação Scutum (ou “Escudo”).
“As estrelas Delta Scuti claramente pulsam de maneiras interessantes, mas os padrões dessas pulsações até agora desafiaram nosso entendimento”, disse Tim Bedding, um dos pesquisadores, em declaração à imprensa. “Para usar uma analogia musical, muitas estrelas pulsam em acordes simples, mas as estrelas Delta Scuti são complexas, com notas que parecem confusas.”
Como explicam os cientistas, compreender essas pulsações é importante se quisermos descobrir mais sobre as Delta Scuti: sua idade, composição, temperatura e até mesmo sua estrutura interna. “Isso realmente é um avanço. Agora, temos uma série regular de pulsações para essas estrelas que podemos entender e comparar com os modelos”, disse o coautor Simon Murphy.
Asterosismologia
No passado, os geólogos estudaram as ondas sísmicas de terremotos para compreender a estrutura interna da Terra levando em consideração a maneira como as reverberações mudavam de velocidade e direção à medida que ocorriam. Agora astrônomos utilizam uma metodologia parecida para estudar as estrelas — um campo do conhecimento chamado Asterosismologia.
De acordo com os especialistas, é possível descobrir muito sobre os astros do Universo observando as pulsações que emitem. Por exemplo: estrelas mais jovens produzem pulsos mais fortes e frequentes do que as mais velhas, e isso pode nos ajudar a deduzir a idade desses objetos galáticos.
A equipe detectou a pulsação regular de alta frequência a partir de 60 estrelas Delta Scuti diferentes que estão entre 60 e 1400 anos-luz de distância da Terra. “Embora as 60 estrelas estudadas no artigo representem apenas uma pequena fração da população total de Delta Scuti, esses resultados terão implicações para estudos futuros”, observou Daniel Holdsworth, que participou da análise, em comunicado.
Um dos desdobramentos dessas observações é a descoberta de que as Delta Scuti analisadas são particularmente jovens. Segundo Holdsworth, “a asterosismologia tem o poder de fornecer idades muito precisas, proporcionando a oportunidade de expandir nossa compreensão da galáxia ao nosso redor”.