Não é de agora que João Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União, hoje nacionalmente conhecido como Augusto Nardes, luta contra os desmandos na administração pública. O caso do Orçamento 2014 do governo Dilma é apenas mais um caso cabeludo que não passa em brancas nuvens por Nardes. É o perfil desse gaúcho de Santo Ângelo, bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões e mestre em estudos de desenvolvimento pelo Institut Université d’Études, de Genebra, Suíça.
Quando deputado estadual, de 1987 a 1994, foi quem mais acionou a CAGE (Contadoria e Auditoria Geral do Estado), enfrentando os sonegadores de impostos de todos os tamanhos. Deixando de lado as deferências do mundo político comumente dispensadas aos poderosos, levou o nome de todos ao conhecimento público e foi duramente perseguido por setores do poder econômico.
Desassombrando, como o jornalista Ricardo Noblat o trata no texto reproduzido abaixo, divulgou a lista dos maiores devedores de ICMS do Rio Grande do Sul. E não mandou apenas distribuir os nomes para quem quisesse deles tomar conhecimento. Nardes os leu da tribuna da Assembleia Legislativa. Nunca se arrependeu do gesto.
Nardes não está contra a presidente Dilma, o governo e o PT. Está, como sempre esteve, ao lado da decência na administração pública. Não se aproveita agora de um caso de desgoverno. Nunca foi de empurrar bêbado na ladeira. O ministro Augusto Nardes é o que sempre foi o deputado estadual João Augusto Nardes.
Do blog do Noblat
Augusto Nardes, um ministro desassombrado!
Ricardo Noblat
O governo acha que o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, pesou a mão nas críticas que fez à presidente Dilma Rousseff a propósito de sua prestação de contas de 2014?
É porque não deve ter prestado atenção ao que Nardes disse em entrevista à rádio Eldorado, do grupo O Estado de S. Paulo. Algumas coisas que ele disse:
– Dilma não tem que prestar contas ao TCU das irregularidades cometidas nas contas de 2014, mas sim à sociedade brasileira.
Nardes afirmou que nenhum administrador público pode desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e que Dilma feriu essa lei ao não ter feito contingenciamento de R$ 28 bilhões no ano passado.
– Além de não ter feito essa economia, ela (Dilma) autorizou a utilização de mais R$ 10 bilhões, causando a atual situação que estamos vivendo, de ajuste fiscal, de crise na economia e de desemprego.
– Não podemos mais passar a mão na cabeça das autoridades em detrimento do povo brasileiro. Temos de dar um basta a isso. O interesse do povo tem de estar acima de grupos e de partidos.
Por fim:
– A crise na Petrobrás me fez pensar que tínhamos que dar um basta (nessas situações), pois o exemplo tem de vir de cima.
Basta de intermediários! Nardes para presidente!