Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2025
O choque econômico que pode ocorrer por conta das tarifas impostas às importações de mais de 60 países — anunciadas pelos presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira — levou o banco americano JPMorgan a aumentar para 60% as chances de uma recessão global já em 2025.
Anteriormente, a projeção era de 40%. Para o banco, as tarifas ameaçam as cadeias de suprimentos globais e, desta forma, o crescimento econômico nos EUA e em todo o mundo.
“As políticas disruptivas dos EUA foram consideradas o maior risco para as projeções globais em todo o ano”, diz relatório assinado pelos especialistas do JPMorgan Bruce Kasman, Jahangir Aziz, Joseph Lupton e Nora Szentivanyi e cujo título é “There wil be blood” (“Haverá sangue”, na tradução literal).
O título foi tirado de uma passagem bíblica. No Êxodo, Deus diz a Moisés que, para convencer o faraó a libertar o povo judeu, transformaria as águas do Nilo em sangue: “Haverá sangue por toda a terra do Egito, até nas vasilhas de madeira e nas vasilhas de pedra.”
Os analistas do banco ressaltam que a imposição das tarifas reforçou os temores de tempos mais difíceis para a economia global, à medida que a política comercial americana se tornou “decisivamente menos favorável aos negócios” do que haviam previsto.
O JPMorgan explica que a combinação das políticas adotadas pelos Estados Unidos seguem se alterando e deixando de apoiar o atual momento de expansão econômica do país. O relatório alerta que o efeito do aumento de tarifas pode ser ampliado por um conjunto de fatores: retaliação dos países atingidos — como a China fez nesta sexta-feira —, piora no sentimento de empresários nos EUA e interrupções na cadeia global de suprimentos.
O JPMorgan indica ainda que o choque econômico seria apenas “modestamente amenizado” pelos possíveis cortes nas taxas de juros a serem promovidos como medida de atenuar os efeitos das tarifas sobre a atividade. A ferramenta FedWatch, do CME Group, mostra que o mercado já precifica quatro cortes nas taxas americanas.
Fluxos de imigração
Apesar da mudança de previsão, o banco afirma que ainda é cedo para fazer uma revisão generalizada em suas projeções para todos os indicadores e disse aguardar para ver a implementação inicial das alíquotas e os processos de negociação com outros países. Além disso, a instituição explica que o posicionamento atual dos EUA e a expansão da atividade global apontam que a vulnerabilidade das economias pode ser limitadas, o que, por sua vez, “pode sugerir uma desaceleração relativamente branda”.
“Mas as recessões são inerentemente imprevisíveis. Outra preocupação importante é que políticas comerciais permanentemente restritivas e a redução dos fluxos de imigração podem impor custos de oferta duradouros que reduzirão o crescimento dos EUA no longo prazo”, contrapõe o relatório.
Outras reações
As reações sobre as tarifas globais de Trump têm sido mistas. A maior parte dos países atingidos se propôs a aguardar e recalcular suas rotas antes de proceder. A China, entretanto, foi na contramão e já retaliou os EUA: a nação asiática anunciou que vai adotar uma tarifa de 34% sobre todas as importações americanas. A medida entra em vigor a partir de 10 de abril, informou a agência estatal de notícias Xinhua.
O acirramento da guerra comercial derrubou as Bolsas globais e fez o dólar disparar frente às moedas mais líquidas do mundo. Por aqui, às 14h43, o Ibovespa — principal índice de ações da Bolsa de Valores brasileira — caía 3,08%, a 127.107 pontos, enquanto o dólar subia 3,52%, a R$ 5,827.
Por outro lado, o Vietnã foi um dos primeiros países a anunciar que já entrou em negociações com Trump para aliviar as tarifas. A nação do sudeste asiático foi uma das mais afetadas pelo “tarifaço”, bombardeada com uma tarifa de 46%%.
O presidente americano Donald Trump afirmou que o líder vietnamita To Lam está disposto a eliminar tarifas para evitar novas sanções tarifárias dos Estados Unidos em sua sobre as importações provenientes do país do Sudeste Asiático.
Lam “me disse que o Vietnã quer reduzir suas tarifas para ZERO se conseguir chegar a um acordo com os EUA”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social, descrevendo uma ligação telefônica entre os líderes na manhã desta sexta-feira.
Anteriormente, o Vietnã havia solicitado ao governo Trump a suspensão por até três meses da tarifa anunciada de 46% sobre produtos vietnamitas, a fim de viabilizar negociações.