Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2025
As conexões políticas do Master, por sua vez, aparecem em diferentes frentes.
Foto: DivulgaçãoO Banco Master, vendido ao Banco de Brasília (BRB), contratou a mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para representá-lo judicialmente, segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Desde que foi anunciado, o negócio entre as duas instituições têm gerado polêmica, já que há dúvidas sobre a sustentabilidade de longo prazo do Master e o BRB é um banco público. Ao mesmo tempo, reforça a informação de que a gestão do Master procurou cercar-se de conexões com influência política.
Procurados, o Master e o escritório Barci de Moraes, no qual trabalham a mulher e dois filhos do ministro, não se pronunciaram.
Segundo o Globo, pessoas ligadas ao banco afirmaram que Viviane representa o Master em poucas ações. O jornal também encontrou 30 processos com o nome de Viviane no STF, mas nenhum deles como representante do Master.
Segundo dados indexados pelo site Escavador, Viviane Barci de Moraes atua principalmente em processos de recuperações judiciais e falências, em São Paulo e Minas Gerais.
Alexandre de Moraes já participou de eventos patrocinados pelo Master. No ano passado, o ministro esteve no “1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias”, realizado em Londres pelo Grupo Voto. O Banco Master apoiou o evento e houve um debate entre Daniel Vorcaro, fundador da instituição e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Moraes também esteve num jantar em Nova York da Brazil Conference, organizado pelo Lide e patrocinado pelo Master, em 2022.
As conexões políticas do Master, por sua vez, aparecem em diferentes frentes. Como mostrou o o jornal O Estado de S.Paulo, o banco tinha um comitê executivo formado por ex-presidentes do Banco Central. Segundo o colunista Lauro Jardim, também de O Globo, contratou no ano passado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como consultor.
A ex-ministra chefe da secretaria de Governo no período Bolsonaro Flavia Peres (então Flavia Arruda) é casada com um dos sócios de Vorcaro, Augusto Lima.
Classificação
A agência de classificação de risco S&P colocou as notas de crédito (ratings) do Banco de Brasília (BRB) em observação devido ao anúncio da compra de 58% do capital do Banco Master. De acordo com a casa, os aspectos da transação e a estrutura de capital do novo conglomerado ainda são incertos, o que torna incerto o impacto que a compra terá para o banco público. A concretização da aquisição depende do Banco Central (BC).
“Precisamos de uma maior clareza na estrutura consolidada do grupo após a aquisição, além de detalhes sobre a reorganização do Banco Master, para estimar o impacto sobre a estrutura de capital, a exposição de risco e os perfis de negócio e de financiamento do BRB”, afirmam os analistas.
A nota global do BRB na S&P é B, e a local é brA+/brA-1. Estas foram as notas colocadas sob observação nesta quinta-feira, 3. O Master não é avaliado pela S&P.
De acordo com a agência, a aquisição, se concluída, poderia gerar um desvio significativo dos fundamentos de crédito do BRB em relação às expectativas anteriores. As mudanças podem atingir a capitalização do banco e também as exposições de risco. Outro fator potencialmente complexo são os riscos envolvidos na integração dos bancos.
Os analistas lembram que nem todos os ativos do Master entrarão no pacote adquirido pelo BRB, com a exclusão dos precatórios, do banco Voiter, do Banco Master de Investimento e da KOVR Participações, entre outros. “No entanto, a aquisição pode incluir outros ativos cujo perfil de risco ainda é incerto para nós”, diz a S&P.