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Economia Bancos se defendem e dizem que não ocultaram dívidas das lojas Americanas

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Bancos já ensaiam reação à nova delação do caso Americanas. (Foto: Reprodução)

Os bancos Itaú e Santander já ensaiam reação após vir à tona a delação feita por Fábio Abrate, ex-diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Americanas. O ex-executivo fez uma colaboração com o Ministério Público Federal (MPF), afirmando e detalhando como instituições financeiras poderiam ter conhecimento das fraudes cometidas na companhia por meio de operações com fornecedores. Parte do teor da colaboração está na nova denúncia feita pelo MPF, que acusa ex-executivos da varejista de praticarem diversos crimes.

O Santander apresentou, na quinta-feira, manifestação formal ao MPF, colocando-se à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. O Itaú entrou com petição na quarta-feira na 6ª Vara Federal Criminal do Rio e disse que está à disposição para apresentar documentos e ainda listou executivos para depoimentos.

Segundo fontes, os dois bancos estudam a possibilidade de tentar invalidar na Justiça a delação feita por Abrate. Segundo relatório do MPF, o ex-diretor revelou que os bancos Itaú e Santander teriam trabalhado com ex-funcionários da varejista para ocultar as informações das dívidas do risco sacado, que é uma prática comum no varejo.

A operação é uma espécie de triangulação na qual a varejista antecipa um crédito aos fornecedores, que recebem de um banco, que depois cobra da Americanas.

Para não acender o alerta dos analistas sobre o tamanho dessas operações – que eram dívidas junto a bancos –, a Americanas aplicava redutores artificiais nessa rubrica. Isso era feito por meio de contratos reais e falsos de VPC (Verba de Propaganda Cooperada) pelos quais a companhia reduzia custos artificialmente e ampliava os lucros.

Na colaboração, Abrate diz que Itaú e Santander eram os mais próximos e os mais relevantes para a empresa nesse tipo de operação. “Eles já tinham apontado o que mostraria, ou mostraram, e a gente falou, ‘não tem como ser dessa forma’. E aí sim, eu fiquei com a incumbência de falar com os caras, e falar, ‘e aí, qual é o plano B’? Eu era o negociador com os bancos. Então, a minha conversa com os dois bancos foi muito simples, ou tira, ou a gente para de fazer operação”, diz o trecho da delação de Abrate.

O procurador pergunta, novamente, quais bancos especificamente? Abrate responde: “Itaú e Santander. Por quê? Eram os maiores e alguns bancos, eles são líderes do setor. E os bancos se falam sobre tudo. Se tem um setor que é organizado, se chama banco. Varejo é desorganizado. Varejo se mata. Banco não, banco combina”, disse o ex-executivo da Americanas, segundo a denúncia do MPF.

Em nota, o Santander reiterou que é uma das vítimas das fraudes perpetradas no âmbito da Americanas, que geraram prejuízo estimado em quase R$ 4 bilhões à instituição. “O Santander reafirma seu compromisso institucional com a legalidade, a transparência e a mais absoluta ética empresarial e repudia, de forma veemente, qualquer tentativa de transferir a terceiros a responsabilidade pelas demonstrações financeiras da Americanas, cuja elaboração e veracidade cabia exclusivamente aos administradores daquela companhia”, disse.

O Itaú afirma que “não houve supressão de informações ou troca de cartas de circularização, especialmente no que se refere às operações de risco sacado contratadas pelas Americanas”. Lembrou que o pedido feito pela companhia foi negado por se afastar das práticas comumente adotadas pelo banco para o produto bancário risco sacado.

“Passada a auditoria relativa ao fechamento do ano-base de 2016, as Americanas passaram a exigir que o Itaú retirasse das respostas às cartas de circularização as operações de risco sacado. O Itaú novamente não concordou com tal solicitação e as operações de risco sacado foram totalmente interrompidas em 2017”, disse o banco em petição. O banco pede acesso aos autos e ao teor da colaboração de Abrate.

Na delação, Abrate explicou que convencer Itaú e Santander era a estratégia para convencer outros bancos. “Se esses caras aqui são grandes, muito inteligentes, são um caminho, primeiro, eu vou ligar para o Bradesco e falar assim, cara, Santander e Itaú tiraram da carta. Aí já é uma outra conversa”, disse Abrate.

Nas interações com os outros bancos, Abrate chegava a ameaçar mudar de instituição: “‘Você vai colocar? Então tá bom, vou parar de fazer com você e vou aumentar a minha participação com Itaú e Santander. No caso de Itaú e Santander, eles estavam se falando. Eu ligava para um, ligava para o outro e um falava que ia ligar para o outro, falando ‘deixa eu discutir aqui com…”

Questionado pelo MPF se o executivo tinha consciência do VPC e do risco sacado, Abrate disse: “Sim, eu e os bancos. Porque, se o banco sabe que a companhia tem 20 bi (R$ 20 bilhões) em risco sacado, que ele está compromissado com o fornecedor, o banco olha para o balanço da companhia e fala: deve ter algum probleminha aqui, mas deixa passar”.

Ao final, o procurador pergunta: “E, no final, qual foi o resultado dessa negociação? O que aconteceu?” Abrate é simples na resposta: “Foi de que os bancos não apresentaram na carta a informação”. Questionado sobre a motivação dos bancos para terem feito isso, Abrate diz que a razão “foi econômica”.

Em outro trecho, o ex-executivo lembra que “se o banco interrompe naquele momento, a gente não tinha chegado onde a gente chegou”. O banco não apontar na carta de circularização “foi decisivo para a perpetuação da fraude”, acrescentou Abrate, lembrando que os próprios juros dos empréstimos eram lançados na conta de fornecedor. As informações são do jornal O Globo.

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