Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 2 de abril de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou nessa quarta-feira (2) o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por ter utilizado uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) para viajar de Brasília a São Paulo um dia antes de acompanhar a conquista do título paulista pelo Corinthians no clássico contra o Palmeiras.
Em entrevista ao canal AuriVerde Brasil, Bolsonaro afirmou que, se “Alexandre de Moraes salvou o Brasil de uma ditadura, deveria viajar em um avião de carreira”.
“Se sou Alexandre de Moraes e salvei o Brasil de uma ditadura, livrei o país de um golpe, fui um herói nacional, deveria viajar em um avião de carreira e ser aplaudido. Mas é preciso ver que isso não é verdade, a realidade é completamente outra”, disse.
Como mostrou a Folha, a viagem de Moraes foi justificada por razões de segurança.
O ex-presidente também criticou os demais ministros que compõem a Primeira Turma do Supremo por, segundo ele, não terem isenção para julgá-lo no caso da acusação de liderar uma trama golpista em 2022 para impedir a posse de Lula (PT).
Questionado sobre a possibilidade de ser preso, Bolsonaro comparou sua situação à dos apoiadores envolvidos nos atos do 8 de Janeiro. “Ninguém quer estar preso, mas quem cometeu um crime e deve ir preso tem um sentimento. Agora, esses inocentes [de 8 de janeiro] estão presos por quê?”
Declarado inelegível até 2030 em razões de condenações por mentiras e ataques ao sistema eleitoral e abuso de poder em 2022, o ex-presidente repetiu que “já está ao fim da vida”, por ter 70 anos de idade, e que, para ele, a investigação sobre sua presença na trama golpista é uma tentativa de deixá-lo fora do pleito de 2026.
O ex-mandatário, que marcou um ato a favor de anistia no próximo domingo (6) em São Paulo, comparou sua situação com a da pré-candidata na França Marine Le Pen, que está potencialmente fora das eleições de 2027, após ser condenada, na última segunda (31), por desviar fundos do Parlamento Europeu para o caixa de seu partido.
“Buscaram que ela teria usado servidores indevidamente durante o processo eleitoral. Se criou um motivo, deram 5 anos de inelegibilidade dela, por quê? Por que ela tá crescendo muito”, afirmou.
A denúncia da trama golpista apresentada pela PGR afirma que Bolsonaro liderou a trama golpista.
A Procuradoria traz um conjunto robusto de evidências em relação à chamada “minuta do golpe” e ao conjunto de ações e declarações de Bolsonaro e aliados contra as urnas eletrônicas —sem que houvesse indicativo mínimo de fraude— reúnem documentos, atos públicos, ações concretas e depoimentos que reduzem a margem para interpretações diversas.
Outros pontos da denúncia de Gonet dão margem a uma maior controvérsia.
O procurador-geral, por exemplo, afirma que Bolsonaro sabia e concordou com o plano de assassinato de autoridades, sendo que a investigação traz indícios, mas nenhum elemento cabal nesse sentido.
Gonet também foi além do que a própria polícia concluiu em alguns pontos, entre eles a ligação direta do ex-presidente com o ataque de 8 de janeiro de 2023. A PF não o indiciou por crimes relacionados ao episódio. Já Gonet o denunciou pelos ataques. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)