Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 2 de abril de 2025
Diante do cortejo de Bolsonaro, governadores avaliam participar de um ato pró-anistia em São Paulo neste fim de semana, junto de Tarcísio de Freitas.
Foto: Paulo Pinto/Agência BrasilApós se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro vem costurando uma reaproximação com governadores de direita que buscam ter a sua bênção para concorrer à Presidência da República nas eleições do ano que vem.
Desde a semana passada, Bolsonaro fez gestos a Ronaldo Caiado (União), de Goiás, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ratinho Jr. (PSD), do Paraná. O trio foi alvo de frituras recentes do bolsonarismo devido às suas pretensões para 2026. Diante do cortejo de Bolsonaro, eles avaliam participar de um ato pró-anistia em São Paulo neste fim de semana, junto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), outro cotado ao Palácio do Planalto que convive com uma estratégia “morde e assopra” do ex-presidente.
Interlocutores de Bolsonaro e desses governadores avaliam que o movimento do ex-presidente segue um cálculo pragmático para facilitar a adesão ao projeto de anistia aos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro no Congresso – em especial do PSD, de Ratinho Júnior, a quem ele visitará nesta sexta-feira. Há também a percepção, segundo esses interlocutores, de que Bolsonaro usará as viagens pelo país para demarcar a posição de candidato à Presidência, mesmo inelegível, aumentando o custo político de eventuais “voos solo” de outros presidenciáveis que buscam o apoio do bolsonarismo.
Baixando o tom
O ex-presidente desembarca na sexta-feira em Curitiba para um almoço com o governador do Paraná, Estado que foi o epicentro de embates entre o bolsonarismo e o PSD nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, Bolsonaro se esquivou de apoiar a campanha do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), mesmo tendo um candidato a vice do PL, e chegou a sinalizar um endosso à sua adversária no segundo turno, a jornalista Cristina Graeml.
“Esta visita do (ex-)presidente mostra que ele está muito próximo tanto do governador Ratinho quanto do (presidente do PSD, Gilberto) Kassab. Avalio que ele (Bolsonaro) está evitando confrontos e mostrando que pode superar pequenas divergências por um bem maior”, afirmou o deputado Reinhold Stephanes Jr. (PSD-PR).
Stephanes Jr., que recepcionará Bolsonaro no aeroporto em Curitiba, foi um dos signatários do requerimento de urgência para a análise do PL da Anistia do 8 de Janeiro na Câmara. O movimento ocorreu após Bolsonaro apelar a Kassab, seu antigo desafeto, para ter o apoio do PSD, que tem uma das maiores bancadas do Congresso e integra a base do governo Lula.
Kassab tem evitado se manifestar sobre a anistia, já que a bancada do seu partido tem uma divisão regional: enquanto parlamentares do Norte, Nordeste e do Rio são mais próximos a Lula, os deputados do Sul, de São Paulo e parte de Minas se alinham a Bolsonaro. Nos bastidores, no entanto, o dirigente do PSD alimenta uma maior aproximação com o ex-presidente, diante da possibilidade de compor a chapa à reeleição de Tarcísio em São Paulo em 2026.
Outra hipótese é que o próprio Kassab concorra à sucessão, caso o governador seja alçado à corrida pelo Planalto. A aliados, o cacique do PSD, que não disputa eleições há mais de uma década, sempre afirmou que desejava resolver pendências jurídicas antes de voltar a concorrer. Em agosto de 2023, ele conseguiu uma decisão favorável da Justiça Eleitoral de São Paulo para arquivar um inquérito da Lava-Jato que apurava suposto recebimento de propina da JBS.
(As informações são do jornal O Globo)