A queda de Joaquim Levy do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foi vista com descrença por empresários e altos executivos. Bolsonaro dificilmente terá sucesso na abertura da tal caixa-preta do banco, promessa de campanha que Levy deixou de entregar.
Para o presidente de uma grande indústria, há chances de o governo permanecer sem a caça às bruxas que tanto deseja, pelo simples fato de que talvez não haja bruxas para caçar. Após a saída de Luciano Coutinho, presidente do BNDES nas gestões petistas, os sucessores Maria Silvia Bastos Marques, Paulo Rabello de Castro, Dyogo Oliveira e o próprio Levy saíram sem entregar nenhuma caça às bruxas.
Para um alto executivo do setor financeiro, embora o governo queira aproveitar o BNDES politicamente para trazer à tona empréstimos a empresas e governos estrangeiros amigos do PT, Levy ou outro profissional sério que vier não se arriscará a usar informações politicamente.
Entre funcionários do banco, que se ofendem com a teoria da caixa-preta, a avaliação é semelhante. “Qualquer pessoa que tenha um nome a zelar e seja responsável vai enfrentar os mesmos problemas que o Levy”, diz Arthur Koblitz, da AFBNDES, associação de funcionários.
Maia
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira (17) que a saída de Joaquim Levy da presidência do BNDES e do advogado Marcos Barbosa Pinto da diretoria de Mercado de Capitais do banco é “uma covardia sem precedentes”.
Levy pediu demissão no domingo (16), um dia após o presidente Jair Bolsonaro ter dito em entrevista coletiva que ele estava com a “cabeça a prêmio”. Bolsonaro cobrava de Levy a demissão de Marcos Pinto, que renunciou no sábado (15) após a fala do presidente. “Uma pena o Brasil ter perdido dois nomes como os do advogado e do Levy. Acho uma covardia sem precedentes”, disse Maia.
“Acho que o Guedes errou, mas já está passado, já está decidido. Eu queria que o Marcos Pinto pudesse ser aproveitado em uma área de um debate importante sobre economia com viés social. Ele é um dos melhores do Brasil que entende desta área, é uma pena que foi feito desta forma”, completou o presidente da Câmara.
Também em São Paulo, em outro evento, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, defendeu a decisão da demissão de Levy como um direito do presidente, Jair Bolsonaro. “Isso é um direito que o presidente tem, o presidente é quem nomeia. Houve ali uma incompatibilidade ali de gênios, né? Não houve sintonia entre o que desejava o presidente e como trabalhava o de Levy. É uma pessoa que a gente respeitar, tomou uma decisão que a gente respeita e vida que segue”, destacou Onyx.