O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Camilo Santana, confirmaram nessa segunda-feira (10) o plano de instalação de um campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Caxias do Sul (Serra Gaúcha), com início das atividades no ano que vem. A medida faz parte do programa Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) para o ensino superior e havia sido antecipada extraoficialmente por membros do governo federal.
Ainda não foram detalhados os cursos a serem oferecidos na instituição, que será denominada “Universidade Federal da Serra Gaúcha”. A iniciativa resulta de uma demanda encaminhada em dezembro por representantes da região durante encontro no Ministério da Educação. Ao todo, dez novas universidades e hospitais federais serão inauguradas em diversos Estados até 2025, com uma verba total de R$ 5,5 bilhões.
Dentre os entusiastas da nova universidade estão dois deputados federais gaúchos vinculados ao PT. Um é Pepe Vargas, ex-prefeito de Caxias do Sul em dois períodos, e o outro é Denise Pessôa (PT), pré-candidata à chefia do Executivo nas eleições municipais de outubro. Ela declarou:
“Estamos tornando real um sonho coletivo nutrido há tempos e que teve o empenho de muitos líderes políticos e empresariais da Serra Gaúcha. A nova universidade trará mais oportunidades de educação e desenvolvimento para a região”.
Os outros nove campi serão instalados em São Gabriel da Cachoeira (AM), Rurópolis (PA), Cidade Ocidental (GO), Baturité (CE), Estância (SE), Jequié (BA), Sertânia (PE), Ipatinga (MG) e São José do Rio Preto (SP). Como principal critério de escolha dessas cidades está a ampliação da oferta de vagas da educação superior em regiões com baixa cobertura de matrículas públicas nessa etapa do ensino.
Atividades suspensas e greve
Atualmente, a UFRGS – que completou 90 anos em março – possui quatro campi em Porto Alegre (Centro, Saúde, Olímpico e do Vale), além de Tramandaí (Litoral Norte). Todas permanecem com atividades acadêmicas (presenciais e remotas) suspensas até o próximo sábado (15), .
Determinada pela Reitoria da instituição, a medida está em vigor desde o dia 17 de maio. O motivo são os estragos e transtornos causados pelas enchentes de maio no Rio Grande do Sul. Equipes da UFRGS, no entanto, tem atuado em diversas frentes, inclusive em serviços de alerta e orientação sobre as chuvas e seus impactos no Estado.
Em paralelo, Professores e servidores de cerca de 60 universidades federais e de mais de 39 institutos federais de ensino básico, profissional e tecnológico estão em greve desde o dia 15 de abril. Balanços das entidades mostram que a paralisação alcança mais de 560 unidades de ensino de 26 unidades federativas.
Eles pedem, Dentre outras medidas da contraproposta, a recomposição dos salários em 4,5% ainda este ano. O prolongamento da paralisação, entretanto, foi questionado nessa segunda-feira por Lula, cujas origens políticas estão ligadas a movimentos sindicais no ABC Paulista:
“O montante de recursos que o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos colocou à disposição não é recusável. Eu só quero que levem isso em conta porque estamos falando em universidades e institutos federais, com alunos à espera de voltar às aulas”.
Os servidores técnico-administrativos têm mais uma rodada de negociação com o governo prevista para esta terça-feira (11). Já em relação aos professores, a agenda aponta para a sexta-feira (14). O governo oferece aumentos de 13,3% a 31% até 2026, com os reajustes começando no ano que vem. As categorias que recebem menos terão os maiores aumentos. Quem ganha mais terá menor reajuste.
(Marcello Campos)