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Candidato a vice-presidência dos Estados Unidos que era crítico ferrenho de Donald Trump agora é defensor feroz do ex-presidente

J.D. Vance afirmou também que o território ártico é fundamental para a proteção norte-americana. (Foto: Reprodução/Flickr/Gage Skidmore)

O senador J.D. Vance, escolhido por Donald Trump para ser seu candidato a vice-presidente, é um antigo crítico que se tornou aliado do ex-presidente. Agora, aos 39 anos, o militar da reserva formado em direito será o primeiro millennial (nascidos entre 1981 e 1996) a compor uma chapa partidária importante, num momento de profunda preocupação com o avanço da idade dos líderes políticos americanos, afirma a agência Associated Press.

Ele alcançou fama nacional com a publicação em 2016 de seu livro de memórias, “Hillbilly Elegy” — em tradução livre, “Lamento Caipira” — no qual descreve a decadência da classe trabalhadora branca dos EUA. Foi eleito para o Senado em 2022 por Ohio, um dos Estados da região do “cinturão da ferrugem”, uma das que mais sofreram com a transformação industrial dos país.

Após alguns anos de críticas a Trump — a quem chegou a qualificar como “Hitler americano”, Vance acabou se tornando um dos mais ferrenhos defensores da agenda do ex-presidente conhecida como Maga (Make America Great Again, ou “faça os EUA grandes de novo”), especialmente em matéria de comércio, política externa e imigração.

Trump relatou em sua rede social Truth Social Network: “Após longa deliberação e reflexão, e considerando os enormes talentos de muitos outros, decidi que a pessoa mais adequada para assumir o cargo de vice-presidente dos EUA é o senador J.D. Vance.”

Vance é formado em Ciências Políticas e Filosofia pela Universidade Estadual de Ohio e em direito pela Universidade Yale. Depois de servir no Corpo de Fuzileiros Navais, chegou a ser enviado para missões no Iraque.

Ponto fraco

O ponto faco de Vance é que ele basicamente não foi testado na política nacional e junta-se à chapa de Trump em um momento extraordinário. A tentativa de assassinato de Trump em um comício no sábado causou alterações na campanha, chamando nova atenção para a retórica política grosseira do país e reforçando a importância daqueles que estão a um passo da presidência.

O próprio Vance enfrentou críticas após o tiroteio por uma postagem na rede social X sugerindo que o presidente dos EUA, Joe Biden, era o culpado pela violência. “A premissa central da campanha de Biden é que o presidente Donald Trump é um fascista autoritário que deve ser detido a todo custo”, escreveu Vance. “Essa retórica levou diretamente à tentativa de assassinato do Presidente Trump.”

Ainda não está claro se a suposta tentativa de assassinato de sábado em seu evento de campanha na Pensilvânia influenciou a escolha do ex-presidente para compor sua chapa. Trump afirmou repetidamente que escolher alguém qualificado para assumir o cargo de comandante-chefe era a sua principal consideração para o cargo.

O ex-deputado republicano Lee Zeldin descreveu Vance como “altamente inteligente”, “simpático”, “trabalhador esforçado” e, especialmente, um “bom mensageiro”.

“Ele pode fazer uma entrevista amigável com a mídia e pode fazer uma entrevista mais hostil, se necessário. E, se você atacá-lo, ele, ele está pronto para revidar. E se o repórter insistir, ele está pronto para continuar defendendo sua posição e fazer isso com um sorriso no rosto”, disse Zeldin.

O ex-deputado, que serviu no Exército e serve na Reserva do Exército, disse que a formação militar de Vance é um trunfo “fantástico” para a chapa republicana.

“Aprendemos muito sobre liderança nas forças armadas, esses são princípios que permanecerão conosco por muito tempo”, disse Zeldin.

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