Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2015
Cientistas já conseguem explicar como um gene ligado à obesidade faz as pessoas ficarem gordas. A descoberta pode abrir as portas para uma nova abordagem do problema, que vai além de dietas e exercícios. O estudo desvenda um grande mistério: desde 2007, pesquisadores já sabiam que um gene chamado FTO estava relacionado à obesidade, mas não imaginavam como, e não conseguiam ligá-lo ao apetite ou a outros fatores conhecidos.
Agora, experimentos revelam que uma versão defeituosa do gene faz com que a energia dos alimentos ingeridos seja armazenada como gordura, em vez de ser queimada. Um procedimento de manipulação genética em camundongos ou em células humanas no laboratório sugere que isso pode ser revertido, oferecendo esperança de que uma droga possa ser desenvolvida para fazer o mesmo em pacientes.
O trabalho foi conduzido por cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e da Universidade Harvard, ambos nos Estado Unidos.
A descoberta contesta a ideia de que “as pessoas ficam obesas porque escolheram comer muito e não se exercitar”, disse a líder do estudo, Melina Claussnitzer. “Pela primeira vez, a genética revelou um mecanismo na obesidade de que nunca havíamos suspeitado antes”.
Pesquisadores que não estão relacionados à análise também reconheceram sua importância. “Muitas pessoas pensam que a epidemia de obesidade só está relacionada a comer muito, mas nossas células de gordura têm um papel em como nossa comida é utilizada”, diz o médico Clifford Rosen. Segundo ele, a pesquisa abre a possibilidade do desenvolvimento de drogas que possam fazer nossas células de gordura trabalharem de forma diferente.