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Variedades Com o sucesso da série “Adolescência”, mãe de autor de ataque frustrado a colégio reforça alerta aos pais

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Jamie ao lado do pai, Eddie, em uma cena da série 'Adolescência'. (Foto: Divulgação/Netflix)

Desde que Adolescência estreou na Netflix, não foram poucas as pessoas que perguntaram à enfermeira capixaba Adriana se ela assistiu à série. A produção conta a história de um adolescente acusado de assassinar uma colega de escola e tem levado a inúmeros debates sobre masculinidade tóxica, incels e cooptação de meninos por grupos de radicalização online. Um universo desconhecido da maioria dos pais e que a família de Adriana descobriu de maneira trágica há quase três anos.

Na tarde de 19 de agosto de 2022, ela tinha acabado de chegar de uma viagem de férias aos Estados Unidos quando recebeu a notícia de que Henrique, o filho de 18 anos que ela pensava estar no mercado, tinha acabado de invadir a Escola Municipal Éber Lousada Zippinotti, em Vitória (ES), com seis facas ninjas, arco com 59 flechas, três bestas e quatro coquetéis molotov.

Após ter acesso negado no portão, ele escalou a grade do ex-colégio, ameaçou estudantes e funcionários e acabou detido por policiais e seguranças. Ninguém se feriu. Autuado em flagrante por seis crimes, está preso desde então. Sem julgamento definitivo nem qualquer tipo de assistência psicológica, ele já foi ameaçado de morte e teve de mudar de presídio. Numa das visitas da mãe, revelou o que o levou a planejar o ataque à escola.

Com quatro trabalhos para conseguir pagar advogado e psiquiatra para Henrique, Adriana vendeu o apartamento e se mudou de cidade com o outro filho, gêmeo do autor do ataque. Em entrevista ao podcast Mulheres Reais, da Rádio Eldorado, ela contou que resolveu voltar a falar sobre o seu drama para alertar pais e mães sobre sinais no comportamento dos filhos que não devem ignorar e tentar evitar que histórias como a da sua família se repitam.

“Antigamente a gente perguntava o que você quer ser quando crescer e hoje parece que isso está meio perdido para os jovens, esse mundo tecnológico, essa facilidade de tudo na mão, no celular. Talvez essa facilidade toda tenha provocado um vazio neles, essa falta de propósito, de uma paixão, de um hobby, um esporte, uma religião”, afirma Adriana, que pediu para não ter o sobrenome divulgado devido a ameaças. Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Na época (do ataque de seu filho), você alertou para comunidades de ódio na internet que endeusam assassinos e capturam ‘soldados’ adolescentes. ’Adolescência’, da Netflix, também aborda a questão da violência online. Você assistiu à série?

Não, não assisti para preservar a minha saúde mental neste momento. Desde que isso aconteceu com meu filho, não tenho nem mais aparelho de TV, não assisto mais televisão. Até por essas notícias me causarem gatilhos de todo o sofrimento, revivo todo aquele dia novamente. Também fiquei um bom tempo sem redes sociais, tive de desativar tudo (após ameaças). Reativei há pouco tempo. E eu me coloquei à disposição para me expor novamente sobre esse assunto para aproveitar esse gancho da minissérie (Adolescência) e fortalecer o meu aviso, o meu pedido aos pais para reverem o comportamento dos filhos e ficarem mais alertas para que histórias como essas não se repitam.

Ele foi ridicularizado em grupos de violência online por não ter conseguido matar ninguém?

Exatamente. Na época ele foi chamado de “jorge”, um termo que eles usam para fracassado. Graças a Deus, ele fracassou. Ele fala que entrou para ofender a escola, queria o tumulto. Ele não tinha intenção de machucar nem de matar ninguém. Queria criar o tumulto para a escola ser invadida pela polícia e ele ser morto, como se fosse um suicídio. Ele provocaria a situação para ser morto. Esse foi o real motivo de ele ter feito isso tudo.

Pessoas que morrem em confronto viram ídolos em grupos de radicalização online?

Sim. Os ataques anteriores foram normalmente em duplas: Columbine por exemplo (Em 1999, dois jovens nos Estados Unidos mataram um professor e 12 alunos e depois se suicidaram). No caso do Henrique, como ele estava sozinho, ele preferiu ser morto pela polícia. A ironia é que o pai dele é policial, esteve lá na hora. Imagina se tudo isso tivesse se concretizado.

Seu filho demonstrava algum sinal de depressão antes do ataque?

Passa o tempo e você analisa a frio toda a retrospectiva. Realmente ele estava mais frio nos últimos seis meses. A gente sempre dava beijo de boa noite, esse tipo de coisa, ou quando eu chegava do plantão ia na cama deles para acordá-los. Isso parou com ele. O olhar dele estava mais frio, meio congelado. Ele não expressava mais carinho nem nada, não ria nas fotos, em eventos, não se divertia. As informações são do portal Estadão.

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https://www.osul.com.br/com-o-sucesso-da-serie-adolescencia-mae-de-autor-de-ataque-frustrado-a-colegio-reforca-alerta-aos-pais/ Com o sucesso da série “Adolescência”, mãe de autor de ataque frustrado a colégio reforça alerta aos pais 2025-04-02
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