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Educação Como a neurociência e a educação quebraram todos os tabus sobre a Matemática

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A educação e a neurociência juntas implodiram a crença de que só algumas pessoas “têm jeito” para a Matemática. (Foto: Reprodução)

A educação e a neurociência juntas implodiram a crença de que só algumas pessoas “têm jeito” para a Matemática. E de que a disciplina, tão temida por muitos, não é sobre memorização de fórmulas e, sim, sobre descoberta, pensamento lógico, criar hipóteses e encontrar o resultado da sua própria maneira. Só depois disso, quem sabe, decorar a tabuada.

Experiências no mundo todo têm olhado para essa educação matemática criativa, que sai do abstrato, se transforma na sala de aula e ganha sentido para alunos e professores. Mostram que ela está também na análise de dados e na avaliação crítica de informações, habilidades essenciais no mundo atual.

No Brasil, um movimento para novas políticas públicas na área ganhou força este ano, tentando melhorar os resultados desastrosos na disciplina. Só 5% dos alunos se formam no ensino médio sabendo o que seria considerado adequado para idade. Saem da escola sem saber fazer regra de três, não entendem proporções, não conseguem ler gráficos.

Pesquisas também já mostram as consequências do ensino pouco eficiente da disciplina na produtividade do País. Isso porque trabalhadores em ocupações que usam muito a Matemática têm maior nível de escolaridade e menor taxa de informalidade do que a média geral, o que leva a maiores salários, indica estudo da Fundação Itaú. E ainda, com mais inovação e tecnologia, a participação desses empregos no PIB poderia ser muito maior, se comparada ao que já ocorre em outros países.

Não investir em Matemática também aprofunda desigualdades; mulheres e estudantes pretas e pardas se saem pior em avaliações da disciplina e estão menos representadas entre os trabalhadores da área.

Apesar de muitas das reflexões sobre uma Matemática mais criativa virem desde os anos 1980, pouca coisa entrou de verdade nas escolas, principalmente na rede pública, onde estão 80% dos estudantes do País.

A ideia, no entanto, se fortaleceu nos últimos anos com as pesquisas que juntaram neurociência e educação, popularizadas pela professora da Universidade de Stanford, Jo Boaler, diretora do laboratório Youcubed. Boaler defende uma “revolução no ensino da matemática” e já conseguiu mudar currículos nos Estados Unidos.

Ela mostra que o cérebro tem a plasticidade para aprender o que quiser e insiste que não há aqueles mais ou menos propensos para a Matemática. O problema é como a disciplina foi sempre apresentada nas escolas, com exigência de memorização, de presteza e sem a real compreensão do sentido dos cálculos, padrões, fórmulas ou formas geométricas.

A especialista empresta o conceito de mindset (ou mentalidade) de crescimento, da psicóloga e best-seller americana Carol Dweck. Suas pesquisas sustentam também que todas habilidades podem ser construídas no cérebro, a partir do esforço e da persistência.

Veio daí uma abordagem chamada de “mentalidades matemáticas”, numa tradução de “mathematical mindset”. No Brasil, o Instituto Sidarta passou a testá-la em alguns projetos nos últimos anos, já com resultados positivos na aprendizagem de crianças de escolas públicas e privadas.

“Muito mais do que resolver, acertar a resposta correta, eu olho para o problema”, diz a presidente do Sidarta, Ya Jen Chang. “Uma coisa é o professor falar: ‘me dá a resposta, pensa rápido, quanto é 20 mais 20?’ E outra é dizer: ‘tenho o número 40: de quantas formas posso chegar nele?’ Alguns vão usar multiplicação, outros divisão, soma.”

Uma atividade recomendada são as chamadas conversas numéricas, em que o professor coloca uma conta na lousa e pede a cada aluno resolvê-la de cabeça, com calma, e depois dizer sua estratégia. As discussões são voltadas para deixar claro que todas as formas são bem-vindas e corretas.

Também são propostas para as crianças muitas atividades de decomposição dos números antes de ensinar a conta armada, que era o ponto de partida no passado. A intenção é que compreendam os processos, entendam centenas, dezenas e unidades. A ideia é sempre a de ajudar os alunos a levantar hipóteses para estimular o pensamento lógico e a descoberta, antes de receber a fórmula ou a tabuada, por exemplo.

“Isso tudo vai mudando atitudes e acaba com a ideia de que alguém tem o dom para Matemática”, completa Ya Jen. No Colégio Sidarta, em Cotia, na Grande São Paulo, o Estadão acompanhou uma aula do 4º ano em que as crianças foram divididas em grupos e tinham de formar figuras geométricas com cordões, anotar suas observações, colaborar, discutir.

Foram juntas descobrindo o que era um pentágono ou um ângulo de 90º, construindo sozinhas as formas, com as mãos, ao observar o assoalho da sala ou o formato das mesas.

“Matemática é minha matéria favorita por causa dos desafios”, disse Gabriela Cunã, de 9 anos, em uma fala que reverberava entre os colegas.

“As aulas de Matemática não são só para encontrar a resposta certa. Erros são valiosos”, dizia um cartaz pendurado na sala. Jo Boaler também ajudou a disseminar evidências científicas de que o cérebro se desenvolve mais quando erra, por causa do esforço para acertar na próxima vez. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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https://www.osul.com.br/como-a-neurociencia-e-a-educacao-quebraram-todos-os-tabus-sobre-a-matematica/ Como a neurociência e a educação quebraram todos os tabus sobre a Matemática 2025-04-02
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