Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2025
Os Correios estimam que tiveram um prejuízo de R$ 2,16 bilhões em 2024 como consequência direta da chamada “taxa das blusinhas”, implementada pelo Ministério da Fazenda e aprovada pelo Congresso em junho do ano passado. A informação consta em um estudo interno da estatal revelado na última quarta-feira (2).
A medida afetou diretamente a arrecadação da empresa com o transporte de mercadorias importadas da China. A expectativa inicial dos Correios era de arrecadar R$ 5,9 bilhões com esse serviço em 2024.
No entanto, após a mudança na legislação, o montante efetivamente obtido foi de R$ 3,7 bilhões, gerando uma perda de R$ 2,2 bilhões – o equivalente a 37% de redução de receita.
Mesmo em uma segunda estimativa, que já considerava os efeitos da nova tributação e previa um faturamento de R$ 4,9 bilhões, o resultado ficou abaixo do esperado: R$ 1,7 bilhão a menos do que o previsto, agravando a situação financeira da estatal.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva, comentou o impacto na quarta-feira durante evento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Correios, na Câmara dos Deputados.
“A gente tinha uma expectativa de receita, que foi frustrada. Essa frustração se traduz em prejuízo para a empresa”, afirmou.
Fabiano também criticou a abertura do mercado de transporte de mercadorias internacionais para empresas privadas, promovida pela nova regulamentação.
“Antes, tínhamos cerca de 98% de participação nesse segmento. Em janeiro, esse número caiu para cerca de 30%”, pontuou.
De acordo com informações do portal de notícias G1, fontes ligadas à estatal afirmam que os Correios buscam agora modificar o decreto sobre a tributação simplificada de remessas internacionais, visando retomar parte do domínio perdido sobre o serviço de entrega de encomendas do exterior.
A nova regra, apelidada de taxa das “blusinhas”, passou a taxar compras de até US$ 50 feitas em plataformas estrangeiras, o que reduziu o volume de pedidos e afetou o principal nicho de arrecadação da estatal.
Déficit e desestatização
No final de janeiro, o Ministério da Gestão e Inovação informou que os Correios foram um dos principais fatores para o aumento do déficit das estatais em 2024. A empresa fechou o ano com rombo de R$ 3,2 bilhões, agravado por redução de contratos, queda na receita e limitação de investimentos.
Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os Correios foram incluídos no Plano Nacional de Desestatização, o que paralisou diversas frentes de investimento e reestruturação interna, segundo avaliação do atual governo. As informações são do site InfoMoney.