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Educação Cresce o número de brasileiros com curso superior, mas o avanço ainda é marcado por desigualdades

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Desigualdades está relacionada ao histórico descaso com a educação básica. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A proporção de brasileiros acima de 25 anos com curso superior cresceu 2,7 vezes em pouco mais de 20 anos, revelam novos dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

É inegável que o avanço da escolaridade em um país ainda profundamente marcado pela desigualdade extrema é positivo, mas a leitura do Censo exige cautela.

Primeiro, porque, embora o porcentual de brasileiros com curso superior tenha subido de 6,8% em 2000 para 18,4% em 2022, o número de pessoas com um diploma de faculdade ainda é bem menor do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 48%.

Além disso, o maior número de brasileiros com formação superior coincide com o aumento vertiginoso de cursos a distância (EAD). Dados do Ministério da Educação mostram que os matriculados nessa modalidade saltaram de 1.682 alunos em 2000 para mais de 4 milhões em 2022.

Embora o EAD permita que milhões de brasileiros tenham acesso ao ensino superior, por razões que vão do custo menor à indisponibilidade de faculdades em determinadas regiões, há preocupação com a qualidade de alguns desses cursos.

Longe de demonizar o EAD, é preciso garantir que a modalidade realmente colabore para a formação de seus estudantes, que, em geral, vêm das camadas mais pobres, que têm recursos escassos para investir em ensino superior.

Na era em que parte não desprezível da população questiona a relevância de se fazer uma faculdade – o que nem sempre garante um lugar ao Sol e boa remuneração no mercado de trabalho –, fazse ainda mais necessário que a qualidade do ensino, presencial ou online, seja aprimorada.

O Brasil, que historicamente investe mais no ensino superior do que na educação básica, ainda amarga índices de produtividade baixos quando comparado a países desenvolvidos. Logo, mais que simplesmente aumentar o número de diplomados, convém que o País focalize suas políticas públicas em um ensino realmente efetivo.

Por fim, as desigualdades históricas da sociedade brasileira ficam evidentes quando se observam os recortes sociais e raciais da educação radiografados pelo Censo 2022.

De um modo geral, o número de brancos, pardos e pretos com ensino superior completo aumentou, mas os cursos considerados de “elite”, como Medicina e Engenharia, formam majoritariamente brancos: 75,5% no caso do primeiro, e 66,4% no segundo.

Infelizmente, enquanto o País seguir negligenciando a educação na primeira infância, os avanços no ensino superior serão apenas um copo meio vazio. O acesso à educação nos primeiros anos de idade (creche e pré-escola) é fundamental tanto para o aprendizado futuro como para o progresso econômico das nações.

O Censo mostra que a taxa de frequência escolar bruta de brasileiros de 0 a 3 anos era de 33,9% em 2022, bastante abaixo da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Já entre as crianças de 4 e 5 anos, a frequência escolar era de 86,7% – para essa faixa etária, a meta do PNE é de 100%.

Essa baixa frequência compromete todo o desenvolvimento escolar dos brasileiros, em especial os mais pobres, que, por razões históricas, concentram mais negros e pardos.

“No grupo dos mais envelhecidos, o acesso à educação foi mais difícil na juventude, e isso ainda tem um peso considerável na porcentagem final ( do ensino superior)”, explicou Bruno Mandelli, pesquisador do IBGE.

Em 2021, o gasto médio anual do Brasil com alunos da educação básica foi de US$ 3.181, abaixo da média dos países da OCDE (US$ 11.736), revelou a organização em 2024. No ensino superior, o gasto brasileiro (US$ 13.569) é bem mais próximo ao da OCDE (US$ 17.138).

Ou seja, gasta-se muito em ensino superior, onde se concentram os brasileiros com melhor poder aquisitivo, e pouco em educação básica, onde estão todas as crianças do País, ricas e pobres. Essa opção, na prática, resulta em transferência de renda para os mais ricos e em formação precária de quem não tem dinheiro e não poderá disputar as melhores vagas, seja nas universidades, seja no mercado de trabalho. É preciso, de uma vez por todas, mudar esse cenário. (Estadão Conteúdo)

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