Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2025
Os servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicaram uma carta aberta com críticas aos argumentos utilizados pelo presidente do órgão, Manuel Palácios, para justificar o atraso de 8 meses na divulgação de parte dos dados do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) de 2023.
Os funcionários do Inep dizem que entregaram todos os resultados da avaliação no dia 14 de agosto de 2024 e desconhecem os motivos técnicos que pudessem ter gerado o atraso.
“Na perspectiva do seu corpo técnico, não há nenhum erro ou inadequação que justifique a não divulgação dos resultados do Saeb 2023”, dizem os pesquisadores do Inep no documento.
Os funcionários descrevem que, em reunião feita no dia 2 de abril de 2025, manifestaram inquietações à presidência do órgão sobre a demora na divulgação desta e de outras avaliações e levantamentos organizadas pelo instituto, como o ENADE e o Censo de Educação Básica de 2024.
Nessa reunião, Palácios teria justificado o atraso do Saeb 2023 em decorrência de possíveis erros de amostragem, um diagnóstico sem respaldo do corpo técnico do Inep. Conforme os servidores, o impasse deveria ter sido discutido de maneira interna.
O argumento de erros na amostragem foi trazido novamente por Palácios na coletiva do dia 3 de abril, gerando surpresa aos pesquisadores do Inep.
“O Presidente trouxe à público suas argumentações, sem prévia discussão interna com servidores”, colocam os servidores do Inep.
Os funcionários também usam o documento para defender o trabalho executado pelo instituto: “destacamos que o INEP conta com um corpo técnico de servidores altamente qualificado, que dialoga com diversos especialistas e está aberto para discutir o aprimoramento de seus processos”.
Polêmica
Depois de forte pressão política, Manuel Palácios convocou na última quinta-feira (3) uma coletiva de imprensa para explicar por que os dados do 2º ano no Saeb foram disponibilizados somente naquele dia.
Aplicada para alunos do 2º, 5º e 9º ano do ensino fundamental e estudantes do 3º do ensino médio, o Saeb é o principal instrumento de avaliação da educação básica brasileira e é bancado por recursos públicos. A avaliação mensura o conhecimento dos alunos em língua portuguesa e matemática.
Enquanto os dados de alfabetização do Saeb ficaram “escondidos” durante 8 meses, o governo Lula comemorou publicamente os resultados de um instrumento criado pelo Ministério da Educação na atual gestão: o Criança Alfabetizada.
Os números, comunicados em 31 de maio de 2024, a partir de avaliações estaduais, mostraram que 56% das crianças estavam alfabetizadas (porcentagem que, em teoria, revelava uma recuperação da aprendizagem no pós-pandemia).
Em compensação, os números finais do Saeb divulgados pelo Inep são menos entusiasmantes: indicam um nível de alfabetização de 49% para alunos do 2º ano, 6 pontos percentuais a menos do que o apontado pelo Criança Alfabetizada.
Em alguns estados, a diferença foi mais gritante: no Maranhão, o Criança Alfabetizada apontou que 56% dos alunos de 7-8 anos estavam alfabetizados; já o Saeb, 31%, com margem de erro de 5,9 pontos percentuais.