Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
As ameaças crescentes do populismo extremista ao redor do mundo nos convidam a uma inadiável reflexão. Seja por meio do avanço de regimes autoritários, da polarização extrema ou da corrosão das instituições, os valores democráticos estão sob ataque. Para enfrentar essa realidade, é fundamental que todos os que acreditam na democracia defendam seus princípios essenciais, não apenas em abstrato, mas em reconhecimento, preservação e aprimoramento dos seus processos.
A história mostra que tanto os regimes de extrema-direita quanto de extrema-esquerda levaram à supressão das liberdades individuais, à perseguição de opositores e à concentração de poder. O compromisso democrático exige resistência a qualquer tentativa de imposição autoritária, garantindo que a política permaneça um espaço de diálogo e não de coerção.
Ao contrário das visões beligerantes da política, que a tratam como uma extensão da guerra por outros meios, os democratas rejeitam o “nós contra eles”. A democracia não deve ser um jogo de soma zero, em que a vitória de um grupo significa a destruição do outro. Em vez disso, trata-se de um sistema que busca equilibrar interesses diversos e garantir que a pluralidade seja respeitada.
Diferentemente de ideologias que enxergam a destruição de um sistema econômico ou social como a solução para todos os problemas, os democratas compreendem que as sociedades são complexas e que mudanças devem ser conduzidas por meio de instituições sólidas. Em vez de pregar rupturas radicais, democratas trabalham para aprimorar as estruturas existentes, garantindo que elas sirvam ao bem comum.
Uma democracia saudável depende de cidadãos capazes de participar do debate público de maneira crítica. Democratas não buscam conduzir massas, mas sim fomentar o pensamento independente. Isso significa promover a educação política, combater a desinformação e estimular a participação ativa da sociedade civil. Quando a opinião pública se torna refém de discursos populistas ou extremistas, a democracia se enfraquece.
O populismo, de direita ou de esquerda, simplifica a política ao dividir a sociedade entre um “povo virtuoso” e elites corruptas. Essa visão maniqueísta ignora a complexidade das democracias e mina as instituições ao deslegitimar qualquer oposição. Democratas rejeitam essa lógica e reconhecem que a sociedade é composta por múltiplos grupos e interesses, que devem ser equilibrados por meio do debate e da negociação.
Democratas veem a liberdade como o valor central da política. Enquanto regimes autoritários priorizam a ordem a qualquer custo, democracias devem garantir a liberdade de expressão, associação e pensamento. A história mostra que sociedades mais livres também são mais inovadoras, prósperas e justas.
O respeito às leis e às normas democráticas é fundamental. A legitimidade do regime democrático depende não apenas do cumprimento das regras escritas, mas também do respeito a princípios como transparência, alternância de poder e institucionalidade. Quando políticos ou grupos tentam contornar esses princípios para obter vantagens, a democracia se deteriora.
A democracia não pode ser confundida com um regime de maioria absoluta. Ela deve garantir direitos para todos, inclusive minorias políticas, religiosas e sociais. Isso significa assegurar que ninguém seja excluído do processo político e que os direitos fundamentais sejam protegidos independentemente da popularidade de uma determinada ideia ou grupo.
Por fim, o pluralismo é o coração da democracia. O reconhecimento da diversidade de ideias, valores e interesses é o que permite que sociedades democráticas floresçam. Em regimes autoritários, a divergência é tratada como inimiga. Em democracias saudáveis, a diferença é vista como riqueza. Garantir que múltiplas vozes sejam ouvidas é essencial para que a democracia se mantenha viva. Conservar intactos os princípios democráticos é tão mais importante quanto maiores forem as ameaças sobre eles. Hora de reafirmar os seus fundamentos.
(edsonbundchen@hotmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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