Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 1 de abril de 2025
Disputas estaduais estão tornando mais lento o entendimento entre o Partido Progressistas (PP) e o União Brasil para a formação da federação. Segundo o jornal Valor, os principais locais de conflito são Paraíba, Pernambuco, Bahia e Acre.
No desenho da divisão dos diretórios estaduais, PP e União optaram por atender a lideranças nacionais de ambas as legendas. Com isso, nomes como ACM Neto (BA), Ronaldo Caiado (GO), Ciro Nogueira (PI), Davi Alcolumbre (AP) e Arthur Lira (AL) continuarão tendo influência sobre a federação em suas regiões.
O PP encabeçará a federação no Acre, Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina. Já o União ficará com Ceará, Goiás, Amazonas, Bahia, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia. As duas legendas compartilharão a gestão estadual no Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
Mesmo com a definição, o líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho (PB), confirmou que o cenário na Paraíba travou as negociações. O parlamentar é adversário na política local do PP, comandado pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
“É o mais complicado de todos [a Paraíba]. Semana passada andou muito bem porque foi uma semana do alinhamento nacional”, afirmou o senador, acrescentando que a cúpula dos dois partidos têm alinhamento no âmbito nacional.
Ele acrescentou que as duas bancadas no Congresso também são compatíveis, mas ainda há pendências a resolver nos Estados. “Esta semana começou a se discutir os cenários estaduais. E é por isso que eu acho que deu uma arrefecida na temperatura”, explicou Efraim.
Paraíba
Em relação à Paraíba, o principal impasse é em torno do governo do Estado. Atual vice do governador João Azevedo (PSB), Lucas Ribeiro (PP) se apresenta como candidato da situação em 2026.
Por outro lado, o União Brasil é oposição ao Executivo local e tem Efraim como um possível candidato. Lucas é sobrinho de Aguinaldo e filho da senadora Daniella Ribeiro (Sem partido-PB), que deixou o PSD recentemente e ainda não se filiou a um novo partido.
Pernambuco
Em Pernambuco, União Brasil e PP ainda precisam definir, por exemplo, de que lado a potencial federação estaria nas eleições para o governo em 2026, que devem ser protagonizadas pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a atual governadora, Raquel Lyra (PSD).
O partido tem representantes tanto na prefeitura quanto no governo, e há dúvidas sobre quem apoiar no ano que vem. O PP garante que estará ao lado da governadora.
O ex-ministro da Educação Mendonça Filho (União-PE) defende a aliança com Raquel Lyra, enquanto o ex-ministro de Minas e Energia Fernando Filho prefere Campos. Pernambucano, o presidente nacional do União, Antonio Rueda, está tocando pessoalmente as negociações.
Bahia
Na Bahia, fontes têm minimizado eventuais rusgas entre seus integrantes e avaliam que os impasses locais não serão suficientes para barrar a federação entre as legendas. A avaliação é que as siglas podem celebrar o acordo e lideranças locais podem discutir a relação posteriormente.
Dentro do União, que pretende lançar novamente ACM Neto ao governo da Bahia em 2026, há o temor de uma reaproximação – que já estaria em andamento – do PP com os petistas. Em 2022, o partido de Ciro Nogueira não apoiou a eleição de Jerônimo Rodrigues (PT), em reação à decisão do atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), de não se licenciar do cargo de governador e com isso abrir espaço para o vice João Leão (PP) comandar o Estado por alguns meses.
Acre
No Acre, tanto o União, com o senador Alan Rick, quanto o PP, com a vice-governadora Mailza Assis, planejam lançar candidaturas para o governo do Estado em 2026.
Segundo apurou o Valor, uma federação entre os partidos inviabilizaria a candidatura de Rick, já que o atual governador, Gladson Cameli (PP-AC), apoiaria a sua vice. Procurados, Rick, Cameli e Mailza não se manifestaram. Ao Valor, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, evitou comentar questões específicas, mas disse que, pelos critérios, “no Progressistas está tudo resolvido” e que “essa é uma questão mais do União Brasil”.
Caiado
O senador também minimizou outro ponto de impasse na formação da federação em relação à pré-candidatura que será oficializada nesta semana do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), à Presidência da República. Nos bastidores, o goiano avalia que a união das siglas diminui suas chances de ser candidato.
Para Nogueira, é legítimo Caiado se colocar na disputa, mas o PP também pode ter um nome. Segundo ele, a decisão de um eventual candidato da federação ficará para 2026 e não entra nas negociações. (Com informações do Valor)