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Economia Dólar no Brasil recua 7,6% no primeiro trimestre

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Foi o pior desempenho para esse recorte trimestral desde 2022, quando a moeda americana se depreciou 14,6%. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O dólar à vista encerrou o primeiro trimestre de 2025 em queda de 7,67% contra o real, no seu pior desempenho para esse recorte trimestral desde 2022, quando a moeda americana se depreciou 14,6%. Sem a entrada do capital real, via fluxo cambial, a valorização do câmbio doméstico ocorreu neste começo de ano diante de um forte desmonte de posições compradas em dólar pelo investidor estrangeiro nos mercados de derivativos.

“O fluxo cambial está muito negativo neste ano. Se olharmos os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central, vemos um saldo líquido negativo de cerca de US$ 13,7 bilhões contra uma entrada de algo em torno de US$ 4,8 bilhões no mesmo período do ano passado”, observa o gestor de moedas Daniel Tatsumi, da Ace Capital, complementando que, por isso, a valorização do câmbio está atrelada à ação do investidor estrangeiro, que tem desfeito as apostas na valorização do dólar ante o real.

De acordo com dados da B3 que englobam os mercados de dólar mini, dólar futuro, swap cambial e cupom cambial (DDI), a posição líquida comprada em dólar contra o real (a aposta na valorização da moeda americana) pelo investidor estrangeiro estava em torno de US$ 67,9 bilhões no fechamento da última sessão de 2024, enquanto o dado mais recente, referente ao pregão da sexta-feira, 28 de março, totalizava US$ 39,7 bilhões.

“Um dos fatores para esse desmonte é o reflexo do enfraquecimento global do dólar após o início da gestão do presidente americano, Donald Trump, mas adicionaria também, de forma importante, o aumento do diferencial de juros, tanto pelo aumento da taxa Selic quanto pela redução do cupom cambial”, explica Tatsumi. Segundo o gestor da Ace, uma queda nesta magnitude só foi observada há 10 anos, de 2015 a 2016. “E era uma janela mais extensa do que a que vemos agora”, lembra.

Desde o fim do ano passado, o BC tem atuado para fortalecer o câmbio, seja por meio da política monetária (com o aumento mais agressivo da Selic), seja por meio da intervenção nos mercados de câmbio pelos leilões à vista e pelos leilões de linha (venda de dólar com compromisso de recompra).

Os leilões de linha, inclusive, passaram a ganhar atenção de uma parcela do mercado neste começo de ano, já que ajudaram a conter a pressão que havia no cupom cambial, a taxa de juros em dólar no Brasil. Na prática, quando a taxa do cupom cambial fica menor e a Selic está muito alta, torna-se mais caro rolar posições compradas em dólar. “Parte do desmonte, então, pode estar relacionado à arbitragem; a um dinheiro que se aproveitava do cupom cambial mais alto”, afirma Tatsumi.

Há a percepção entre operadores e tesoureiros de que parte da forte posição comprada em dólar contra o real registrada nos números da B3 era referente a uma proteção feita, por exemplo, por gestores de portfólio globais.

Em momentos de incerteza, em vez de saírem comprando dólares em todos os mercados emergentes em que estavam expostos, esses gestores estariam concentrando a compra no mercado que fosse mais barato e houvesse maior liquidez (maior volume de negociações). No caso, com o cupom cambial mais alto, o Brasil se tornou o lugar ideal para essa proteção, já que o dólar futuro custava menos no mercado doméstico e dado, também, que o mercado de derivativos brasileiro é um dos maiores e mais líquidos no mundo emergente. “A compra de dólar para fazer ‘hedge’ [proteção] agora se torna mais punitiva do que antes”, diz Tatsumi.

Na segunda-feira (31), o diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, disse em “live” organizada pelo Itaú BBA que, “como o Brasil tem liquidez e o real tem correlação elevada com o mercado internacional, ele [mercado brasileiro] é bastante usado como ‘hedge’ ou como apostas”.

Possivelmente com mais uma sessão marcada por desmontes de posições, o dólar exibiu desvalorização de 0,94% na segunda-feira e encerrou o dia negociado a R$ 5,7057. As informações são do jornal Valor Econômico.

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