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Por Redação O Sul | 3 de dezembro de 2018
Nessa segunda-feira, ao participara de um evento em Madri (Espanha), o ex-juiz federal da Operação Lava-Jato e futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, declarou que não vê qualquer risco de autoritarismo na gestão do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que assume o comando do País a partir de 1º de janeiro.
“Eu não vislumbro no futuro chefe do Poder Executivo brasileiro um perigo de guinada rumo ao autoritarismo ou riscos à democracia”, opinou. Ao seu lado, estava o escritor, jornalista e ex-político peruano Mario Vargas Llosa, vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2010.
O magistrado brasileiro participou do seminário “Grandes Desafios da Iberoamérica”, promovido pela Fundação Internacional para a Liberdade, presidida por Llosa. Também estava prevista a presença do futuro “superministro” da Economia, Paulo Guedes, mas ele cancelou a viagem à Espanha – por questões de saúde, de acordo com a sua assessoria, que não detalhou o motivo.
Polêmicas
O ex-juiz federal minimizou, ainda, as declarações do presidente eleito durante a campanha eleitoral, consideradas racistas, homofóbicas e misóginas. “As pessoas às vezes dão declarações infelizes (…), isso não significa que se traduziriam em políticas públicas concretas e não há nada que indique que adotará políticas discriminatórias contra as minorias no Brasil”, disse, completando que “jamais” participaria de um governo se visse risco de discriminação.
Vargas Llosa também disse à plateia em Madri que Bolsonaro é considerado um homem de extrema-direita e até fascista, no entanto ressalvou que tende a “desconfiar” dessas etiquetas. Em tom elogioso a Sérgio Moro, o peruano o definiu como um “exemplo da revolução silenciosa dos brasileiros na luta contra a corrupção institucionalizada” no País.
Eleição de Bolsonaro
Ao avaliar o atual processo político brasileiro e a recente eleição presidencial que resultou na vitória de Jair Bolsonaro sobre o petista Fernando Haddad, o ex-juiz da Lava-Jato relacionou a eleição do político do PSL para o Palácio do Planalto à indignação da sociedade com a “corrupção sistêmica” descoberta nos últimos anos no Brasil.
Moro, que no passado chegou a dizer em entrevistas à imprensa que “jamais” entraria para a política, justificou ter aceitado o convite de Bolsonaro para a ser ministro porque “faz falta dar uma resposta institucional para além dos tribunais a problemas como a corrupção, o crime organizado e a violência”. Ele defendeu, ainda, um endurecimento das leis no País.