Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 15 de agosto de 2024
María Corina Machado rejeitou a sugestão de Lula.
Foto: ReproduçãoA líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, rejeitou a proposta do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva de que a Venezuela realize novas eleições e chamou a proposição de “falta de respeito” com os venezuelanos.
“A eleição já aconteceu”, disse ao ser questionada por um grupo de jornalistas do Chile e da Argentina sobre a proposta feita por Lula para que ambas as partes considerassem um novo pleito para resolver o impasse político no país.
“Eu pergunto: vamos para uma segunda eleição e, se não gostarem do resultado, iremos para uma terceira? Quarta? Quinta? Até que o presidente Nicolás Maduro goste dos resultados? Vocês aceitariam isso em seus países, que, se o resultado não for satisfatório, repitam a eleição? Nós participamos da eleição seguindo as regras da tirania. Muitos me disseram que éramos loucos, que correríamos riscos e que haveria uma fraude monumental que não poderíamos provar. Algumas pessoas foram mortas ou estão hoje presas, escondidas ou tiveram que fugir do país. Não reconhecer o que aconteceu em 28 de julho, para mim, é uma falta de respeito com os venezuelanos que deram tudo de si e expressaram sua soberania popular”, afirmou a opositora.
Lula sugeriu repetir as eleições durante uma entrevista à rádio T FM, do Paraná e disse que ligará para o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
“Se (Maduro) ele tiver bom senso, ele poderia fazer uma conclamação ao povo da Venezuela, quem sabe até convocar novas eleições, estabelecer um critério de participação de todos os candidatos, criar um comitê eleitoral suprapartidário, que participe todo mundo, e deixar que entrem olheiros do mundo inteiro para ver as eleições”, disse Lula.
Fontes do governo brasileiro afirmaram ao jornal “Valor Econômico” que o Itamaraty estava considerando propor novas eleições na Venezuela. Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Maduro foi reeleito com 52% dos votos, mas as atas eleitorais, documentos que registram os votos e os resultados em cada local de votação do país e que comprovariam o resultado, não foram divulgadas. O órgão alega que o seu sistema foi hackeado.
A oposição da Venezuela afirma que venceu as eleições com base na contagem das atas eleitorais que os oposicionistas disseram ter tido acesso por meio de representantes enviados aos locais de votação. O CNE, equivalente à Justiça eleitoral na Venezuela e alinhado a Maduro, declarou o líder venezuelano reeleito com 52% dos votos, mas não apresentou as atas. A comunidade internacional contesta o resultado oficial.
Segundo a oposição, seu candidato, Edmundo González, venceu as eleições com 67% dos votos. O grupo montou um site criado com cópias das mais de 80% das atas digitalizadas. Uma contagem independente da agência de notícias Associated Press com as atas apresentadas no site apontou vitória de González com uma diferença de cerca de 500 mil votos.