Sábado, 28 de dezembro de 2024
Por Redação O Sul | 11 de dezembro de 2019
Poucas vezes na história uma eleição terá tido um caráter tão plebiscitário como a que o Reino Unido realizará nesta quinta-feira (12). O impasse parlamentar que atravanca o brexit, a saída do país da União Europeia, foi o motivo que levou ao pleito legislativo desta semana, e com o resultado que emergir das urnas se busca aclarar como se dará a retirada. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Os cenários com mais chances de se concretizar são os encarnados pelos dois principais competidores, o atual primeiro-ministro, Boris Johnson, do Partido Conservador, e o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn.
Embora comande um governo que com poucos meses já ostenta altas taxas de desaprovação, Johnson lidera a disputa, segundo as pesquisas mais recentes. A razão principal disso é a grande rejeição a seu adversário, o mais impopular líder da oposição em décadas.
Separação suave
O candidato trabalhista, que sempre se mostrou ambíguo com relação ao brexit, defende agora uma espécie de separação suave. Corbyn promete renegociar o acordo de maneira que a relação com os europeus ainda se mantenha próxima e submeter o resultado das tratativas a um segundo referendo.
Seu programa traz ainda um temerário plano destinado a reescrever as regras da economia britânica a partir de um ponto de vista socialista, incluindo um aumento expressivo dos gastos públicos e uma controversa proposta de nacionalização de empresas.
Longa celeuma
Johnson, por sua vez, é apoiador de longa data do brexit e prometeu implementar o acordo de saída que negociou com Bruxelas e terminou rejeitado pelo Parlamento. Assim, concretizaria o divórcio antes do prazo final, 31 de janeiro de 2020 —tenta-se atrair o voto dos que já não suportam mais a longa celeuma em torno do tema.
O desafio que se impõe ao Reino Unido é gigantesco. Após o eventual rompimento com a UE no ano que vem, que hoje parece mais provável, iniciam-se novas e duras negociações do acordo que deverá regular as relações britânicas com o bloco europeu no pós-brexit.
Infelizmente, nenhum dos dois líderes parece especialmente forte e talhado para a tarefa.