O senador Sérgio Moro (União Brasil) criticou, na manhã dessa sexta-feira (4), o retorno gradual que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, tem feito à política. Em entrevista coletiva de imprensa, pouco antes do lançamento da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência, Moro disse ser uma “vergonha para o País” a reabilitação de um condenado pela operação Lava-Jato.
“Acho que ele deveria ser banido da vida pública. Foi condenado e depois beneficiado por essa reviravolta política”, iniciou Moro, em alusão à anulação das penas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelo entendimento de que os crimes teriam prescrevido.
Moro disse ainda que o papel de Dirceu como representante do Partido dos Trabalhadores (PT) e em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria vergonhoso.
“Um cidadão considerado corrupto pela maior corte do país, está falando abertamente em nome do PT e em nome do Lula. Isso é uma vergonha para o país, leva o país para trás”, afirmou Moro.
Desde o início do ano, Dirceu faz seu retorno à política.
Durante a celebração de 45 anos do PT no Rio, foi ovacionado pelos presentes. Já neste mês de março, quando completou 79 anos, fez duas comemorações – a segunda apenas para a militância em São Paulo, onde ofereceu uma feijoada, sem custo.
O político é cotado para disputar a Câmara dos Deputados no próximo ano. Embora afirme que a campanha eleitoral só terá início em 2026, Dirceu tem intensificado sua agenda política. Entre maio e junho, pretende lançar o segundo volume de suas memórias, seguido por uma turnê de lançamentos no interior de São Paulo no segundo semestre deste ano.
Eleições de 2026
Em outra frente, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou que a esquerda precisa “despertar” para as eleições de 2026 e que o nome da direita para a disputa presidencial é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A análise foi dada na segunda-feira (31), durante um evento na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Dirceu, que se prepara para disputar as eleições do próximo ano concorrendo a uma vaga de deputado federal, destacou que a esquerda precisa se organizar de maneira mais eficiente para enfrentar a direita nas urnas.
O petista também pediu uma maior conexão entre os quadros progressistas do país, argumentando que, enquanto a direita “sabe o que quer”, a esquerda ainda parece incerta sobre seus objetivos. Para Dirceu, é essencial que a esquerda encontre uma plataforma clara e unificada, se preparando para os desafios eleitorais futuros. “Nós precisamos saber o que nós queremos”, disse o ex-ministro, enfatizando a importância de um planejamento estratégico bem definido.
Ele defendeu uma maior presença da esquerda nas ruas e afirmou que, apesar de parte da direita não querer mais o ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa presidencial devido à sua inelegibilidade, o nome de Tarcísio de Freitas já se apresenta como o mais forte.
Segundo Dirceu, o governador de São Paulo está sendo “abraçado” pelo mercado como o candidato ideal, especialmente devido aos programas de privatização que ele poderia implementar em caso de vitória. Dirceu alertou que a esquerda precisa estar atenta a essas movimentações e se preparar para as eleições de maneira antecipada, dado o pouco tempo restante até o pleito.
“Nós temos que começar a pensar em uma plataforma. É preciso despertar, a eleição está aí. Em outubro começa a campanha eleitoral. Ela será em outubro do ano que vem, mas começa agora. Nós temos pouco tempo”, afirmou Dirceu, antes de continuar. “O candidato da direita chama-se Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. E a elite de São Paulo já o abraçou.” As informações são do jornal O Globo.